
Papa Leão XIV e Patriarcado Latino de Jerusalém condenam ataque israelita à Igreja da Sagrada Família e apelam ao cessar-fogo imediato
O recente ataque militar israelita ao Complexo da Igreja da Sagrada Família, a única paróquia católica em Gaza, motivou uma forte condenação por parte da Igreja Católica. O Papa Leão XIV expressou profunda tristeza pela perda de vidas e feridos civis, enquanto o Patriarcado Latino de Jerusalém denunciou o ataque como uma violação inaceitável de um lugar sagrado e de refúgio humanitário.
“O mundo parece ter fechado os ouvidos, os olhos e o coração a tanto sofrimento”, lamenta o cónego Jacinto Bento, voz ativa na defesa dos lugares santos.
Para o sacerdote, membro do Capítulo do Santo Sepulcro de Jerusalém, e originário da Diocese de Angra, é urgente um olhar urgente da comunidade internacional sobre a situação em Gaza.
O ataque, que ocorreu durante a manhã de ontem causou pelo menos duas mortes e vários feridos entre os quais está o padre Gabriele Romanelli, a quem o Papa Francisco ligava diariamente. Recorde-se que o templo católico era um dos poucos refúgios para os civis da região, muitos deles deslocados e em situação de extrema vulnerabilidade, e onde se reuniram centenas de pessoas.
Vozes da Igreja unem-se pela justiça e pela paz
Na sequência do ataque, a Secretaria de Estado do Vaticano fez chegar uma mensagem oficial em nome do Papa Leão XIV, expressando tristeza e solidariedade:
“Sua Santidade, o Papa Leão XIV, ficou profundamente triste ao tomar conhecimento da perda de vidas e dos ferimentos causados pelo ataque militar à Igreja Católica da Sagrada Família em Gaza (…). Renova seu apelo por um cessar-fogo imediato e expressa sua profunda esperança por diálogo, reconciliação e paz duradoura na região.”
O Patriarcado Latino de Jerusalém, sob a liderança do Cardeal Pierbattista Pizzaballa, também denunciou veementemente o ataque, realçando que a igreja foi atingida quando servia como santuário de proteção para civis inocentes.
“Esta guerra horrível deve chegar ao fim completamente — para que possamos começar o longo trabalho de restauração da dignidade humana”, lê-se na declaração oficial.
Apelo à consciência cristã: rezar, mas também agir
O cónego Jacinto Bento visitou a Terra Santa, e testemunhou o aumento do radicalismo contra locais cristãos na região, assim como diversos atos de vandalismo contra igrejas, cemitérios e propriedades cristãs na Cisjordânia, sustenta que é urgente que a comunidade internacional abandone uma posição passiva perante o conflito.
“Preocupa-me a ausência de uma reação firme, tanto da comunidade internacional como da própria Igreja”, afirma.
Para o sacerdote “todos os cristãos têm obrigação de rezar pela paz na Terra Santa, mas isso é manifestamente insuficiente. Tenhamos a coragem de ir mais além e fazer algo mais”, advoga.
O cónego reforça ainda a urgência de não permitir que a indiferença prevaleça diante do sofrimento dos cristãos do Médio Oriente, em especial as crianças vítimas do conflito, que, segundo as suas palavras, “acabam desnutridas, mutiladas e mortas.”
Paz para a Terra Santa: um apelo que não se cala
A situação em Gaza continua crítica, e a comunidade cristã local vive momentos de profunda dor.
“Neste contexto, o apelo é claro: não nos habituemos ao sofrimento. Que as vozes dos justos, como a do Papa, do Patriarca de Jerusalém inspirem o mundo a promover a justiça, a paz e a verdadeira reconciliação. Que o Senhor conceda, finalmente, a Sua Paz à Terra Santa”, completa o sacerdote.
Imagem: Patriarcado de Jerusalém
Educris|18.07.2025


