Fundação AIS: Raparigas portuguesas estudam para «oferecer férias» a crianças ucranianas

Projeto ‘Férias com Deus’, da Fundação AIS, levou 300 crianças a escapar ao drama da guerra, graças à solidariedade de 40 jovens lisboetas

Cerca de 300 crianças ucranianas, provenientes da Diocese de Kamyanets-Podilskyi, beneficiaram de um tempo de repouso, diversão e apoio espiritual graças ao projeto ‘Férias com Deus’, promovido pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). A iniciativa contou com o contributo inesperado de 40 raparigas portuguesas, que decidiram estudar para angariar fundos e apoiar os seus pares, vítimas da guerra na Ucrânia.

“O objetivo era que as jovens portuguesas, por um lado, aprendessem a estudar melhor, por outro, que esse estudo tivesse consequências”, afirmou Maria do Rosário Almeida e Sousa, responsável pela mobilização das estudantes, em comunicado enviado ao EDUCRIS pela fundação AIS.

Por cada hora de estudo rigoroso — sem telemóveis, distrações ou pausas — reverteu em 1 euro, doado por empresas associadas ao Clube Darca, uma associação juvenil ligada à Obra do Opus Dei. O montante final angariado chegou aos 526 euros, canalizados para apoiar as férias das crianças ucranianas.

“Elas sabiam que era um estudo exigente. Tinha de ser mesmo os 60 minutos, sem interrupções nem batota”, desenvolveu Maria do Rosário.

O projeto teve como objetivo oferecer momentos de descanso e esperança a crianças e jovens “longe do ambiente dramático da guerra”, numa altura em que, segundo a fundação pontifícia AIS, a Ucrânia continua a enfrentar a maior crise humanitária na Europa desde a II Guerra Mundial, na sequência da invasão russa iniciada a 24 de fevereiro de 2022.

“Muitas crianças e jovens viveram momentos inesquecíveis no âmbito do projeto ‘Férias com Deus’… escaparam à guerra e aos frequentes ataques aéreos, pelo menos por um curto período, destacou D. Leon Dubravskyi, bispo de Kamyanets-Podilskyi.

A fundação AIS sublinha que estas férias não são apenas recreativas, mas também espirituais. Através de atividades organizadas em paróquias e centros católicos, as crianças recebem apoio emocional e pastoral. A experiência deverá repetir-se no inverno de 2025, com novos programas de acolhimento.

Além da parceria com o Clube Darca, o projeto contou também com o apoio da Fundação Maria José e João Gagliardini Graça, que promove ações de solidariedade em Lisboa e defende, segundo Maria João Gagliardini Graça, a ajuda aos “mais fracos, os mais frágeis da sociedade”, seguindo o apelo do Papa Francisco a ir “até às periferias”.

Educris|18.07.2025

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