
Leão XIV destacou a importância da “escuta e do serviço” como atitudes fundamentais para acolher a presença de Deus
Foi numa catedral de Albano repleta de fiéis, para a eucaristia deste XVI domingo do tempo comum, que o Papa Leão XIV afirmou o “serviço e a escuta” como duas dimensões gémeas do acolhimento”.
Na sua homilia, e ao comentar o episódio em Abraão acolhe os três viajantes, em pleno deserto, o papa americano convidou os fiéis a olharem o modo como Deus se faz presente na história humana.
“escolhe o caminho da hospitalidade para encontrar Sara e Abraão e para lhes anunciar o dom da sua fecundidade, que eles tanto desejavam e já nem sequer esperavam”, afirmou.
No calor do deserto, e já ambos “de idade avançada”, Leão XIV observou que este anúncio acontece “depois de tantos momentos de graça” que Deus tinha concedido a estes anciãos.
“E aqueles dois idosos respondem positivamente, sem saber ainda o que está para acontecer. Reconhecem nos misteriosos visitantes a Sua bênção, a Sua própria presença. Oferecem-Lhe o que têm – comida, companhia, serviço e a sombra de uma árvore –, e recebem a promessa de uma vida nova e de uma descendência”, desenvolveu.
Ao meditar para o evangelho deste domingo, que apresenta o episódio em que Jesus é acolhido por Marta e Maria, o papa lembrou que apesar das atitudes distintas das irmãs, ambas representam caminhos válidos e complementares: “Seria errado ver estas duas atitudes como contrapostas entre si. Com efeito, o serviço e a escuta são duas dimensões gémeas do acolhimento.”
Para Leão XIV é importante, na vida dos cristãos de hoje, recuperar o silêncio e a oração como prática vital para a escuta interior.
“Dar lugar ao silêncio, à escuta do Pai que fala e ‘vê o oculto’ (Mt 6, 6) […] é uma dimensão da vida cristã que hoje temos particular necessidade de recuperar”, apelou.
Num tempo que é de férias e descanso para muito Leão XIV exortou a que esta seja uma oportunidade de “renovação espiritual e encontro fraterno”.
“Aproveitemo-los para saborear alguns momentos de sossego e recolhimento, bem como para, indo a algum lado, partilhar a alegria de nos vermos”, sublinhou.
Num momento de amplificação de conflitos bélicos e de medos perante as diferenças, Leão XIV propôs a abertura de espaços e tempos “de escuta e serviço”, para ser possível “promover uma cultura de paz” e ajudar a “superar divisões e hostilidades”.
No final da sua homilia, e citando Santo Agostinho, o papa lembrou que “o repouso só chegará por meio do cansaço” e exortou os cristãos a perseverarem com esperança.
“A barca passará e a pátria chegará; mas não se chegará à pátria senão por meio da barca”, completou.
Imagem: Eleição de Leão XIV. Vatican MEDIA
Educris|20.07.2025



