
Com 25 anos de experiência, Rita Santos será instituída oficialmente pelo Papa Leão XIV numa celebração que reúne 20 mil catequistas de 115 países
A missão de fazer catequese começou por um acaso e transformou-se numa vocação para a vida.
Rita Santos, 42 anos, catequista há um quarto de século na paróquia do Algueirão, no Patriarcado de Lisboa, vive hoje um momento único. Depois de décadas a acompanhar jovens e famílias, vai ser instituída catequista pelo Papa Leão XIV, numa cerimónia histórica que acontece esta manhã, às 10h00 (9h00 em Portugal continental), na Praça de São Pedro, em Roma.
“Comecei por convite de um amigo, que hoje é o meu marido (risos). Na paróquia tínhamos uma ‘grupeta’ de miúdos sem catequista, e eu tinha tardes livres e resolvi dizer sim. Confesso que nem sabia muito bem o que era. Mas continuei e nunca mais parei”, diz entre sorrisos.
A sua adolescência foi “um período natural de resistência e transformação onde o facto religioso era mais uma resistência ao compromisso do que uma negação da fé.
“O ‘não querer’ é normal, a adolescência é assim. A minha mãe obrigou-me a continuar e acabei por encontrar no grupo de jovens uma família, amigos que são meus até hoje”, explica.
Hoje, reconhece, este vínculo e sentido de comunidade são o coração da sua missão.
“O catequista tem o desafio de criar uma ótima comunidade humana, que possa ser uma verdadeira comunidade de fé. Nosso Senhor trabalha muito nesse encontro”, afirma.
Ministério que oficializa uma missão já antiga
A instituição para o ministério do catequista, proposta pelo Papa Francisco e agora concretizada por Leão XIV, é para Rita a confirmação oficial de um serviço que há muito já é praticado.
“Os catequistas são a primeira face da Igreja que as famílias veem. Quando chegam à paróquia, o pároco é importante, mas são os catequistas que acompanham no dia a dia”, realça.
Rita considera que hoje o ministério traz consigo um compromisso maior e um maior grau de exigência para quem o assume.
“Não podemos continuar com pessoas que dão catequese como se fosse uma aula normal. Isto não é só ler aquelas folhinhas e depois eu chego lá e faço umas coisinhas com os miúdos. Não, porque eu estou a prepará-los para a vida. Estou a prepará-los para serem cristãos como eu sou. Ser catequista é muito mais do que isso, porque ser catequista é a vida”.
Compromisso e desafio para o futuro
Sobre a instituição, Rita mostra-se com o coração aberto, consciente da responsabilidade e da importância da espiritualidade pessoal para a missão que agora acolhe de maneira diferenciada.
“Não posso levar os outros a encontrar Jesus se eu não o tiver encontrado. Todos temos a nossa vida, mas há uma relação pessoal com Jesus que é essencial.”
O ministério será exercido sobretudo no Secretariado Nacional da Educação Cristã, colaborando na renovação dos materiais e no acompanhamento do «Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias».
Com esta instituição Portugal passa a contar com três catequistas instituídas. Rita Santos lê aqui um sinal dos tempos que interpreta como “a necessidade de mais e melhor formação”.
“Hoje creio que a Igreja em Portugal começa a perceber que faltam mais catequistas instituídos, falta mais oficialização de um trabalho que é missão e que implica compromisso e formação. Talvez faça falta os catequistas perceberem quão importante é a sua missão e quão faz parte da nossa vida”.
Rita não sabe exatamente qual será a missão a longo prazo, mas está pronta para servir: “Digo sim com humildade e gratidão. Estou para o serviço, tudo o que for preciso, eu faço”, completa.
A par de Rita o Papa Leão XIV vai instituir outros 38 catequistas. Para além de Elisabete Nunes, a outra portuguesa que será instituída, os candidatos ao ministério laical do catequista vão receber das mãos do Papa um crucifixo como sinal da sua vocação especial.
“Recebe este sinal da nossa fé, cátedra da verdade e da caridade de Cristo, e anuncia-O com a vida, os costumes e a palavra”, dirá o Papa Leão XIV a cada um dos catequistas que provêm de Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal, Brasil, México, Índia, Coreia do Sul, Timor-Leste, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Estados Unidos, Moçambique, Peru e República Dominicana.
Educris|28.09.2025

