
Responsável pelo Departamento da Catequese, da Infância e da Adolescência, na Diocese de Aveiro, é uma das catequistas portuguesas que será instituída esta manhã pelo Papa Leão XIV, em Roma
Elisabete Silva Nunes, 51 anos, casada, mãe de dois filhos e catequista há 15 anos, será instituída oficialmente como catequista pelo Papa Leão XIV esta manhã, às 10h00 (hora de Roma, 9h00 em Portugal continental), durante a celebração eucarística com que termina o Jubileu dos Catequistas.
Atualmente diretora do Serviço Diocesano da Catequese de Aveiro, Elisabete vê este momento como um marco na sua missão e a oportunidade para um compromisso renovado com a Igreja.
“Cada hora que passa sinto-me mais ansiosa, com muita emoção e mais consciente da responsabilidade”, afirmou dias antes da celebração.
Ao EDUCRIS a catequista afirma receber “esta instituição com humildade, alegria e gratidão pelas pessoas que se lembraram de mim e da minha comunidade”.
“Sem evangelização, sem catequese, de modo formado e consequente, a Igreja tende a estar vazia”
O percurso de Elisabete na catequese surgiu quase pela constatação de na sua paróquia faltarem catequistas e o filho mais novo estar sem catequista.
“Até ali eramos cristãos. Íamos à missa ao Domingo, mas sentíamos que não havia um papel, um lugar para nós. Depois de fazermos um cursilho de cristandade verificámos que o nosso filho mais novo não tinha catequista e fomos dar catequese”, recorda.
Quinze anos depois afirma que o convite para fazer catequese ajudou este casal a “perceber que tínhamos um papel a desempenhar”, na comunidade cristã.
Com o tempo Elisabete tornou-se responsável pela formação e crescimento de outros catequistas. Hoje, no Secretariado Diocesano organiza a “formação dos catequistas”, acompanha de perto “o trabalho da catequese nas paróquias” e supervisiona “a aplicação do novo «Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias», que considera uma mudança profunda no modo como a catequese é entendida e vivida.
“O Itinerário é mais do que novas indicações é uma mudança de paradigma. Centra-se no caminho de cada um e exige catequistas que saibam acompanhar em todos os momentos”, concretiza
“Mudar o ser catequista implica colocar-me noutro lugar: na preparação, na relação com os pais, na forma como me dou à comunidade”
Elisabete acredita que a catequese é o verdadeiro “coração da evangelização” e sustenta que sem ela, a Igreja corre o risco de se afastar das pessoas.
“Somos cristãos no trabalho, em casa, nas relações. A Igreja precisa de se abrir aos problemas reais. O centro da fé não muda, mas os meios têm de mudar. E o Diretório e o Itinerário ajudam-nos a fazer essa transição”, afirma.
Sobre o Papa Leão XIV, que hoje a institui como catequista, reconhece que ainda está a conquistar a proximidade dos fiéis.
“O Papa Francisco era alguém que sentíamos como de casa. O Papa Leão ainda precisa de tempo para se fazer nosso amigo”.
Apesar do peso do momento, Elisabete reforça a sua entrega com serenidade e firmeza:
“A catequese transforma primeiro quem catequiza. O catequista é o primeiro a precisar de catequese, porque evangeliza sendo evangelizado. E isso é uma missão de esperança”, completa.
A par de Elisabete o Papa Leão XIV vai instituir outros 38 catequistas. Para além de Rita Santos, a outra portuguesa que será instituída, os candidatos ao ministério laical do catequista vão receber das mãos do Papa um crucifixo como sinal da sua vocação especial.
“Recebe este sinal da nossa fé, cátedra da verdade e da caridade de Cristo, e anuncia-O com a vida, os costumes e a palavra”, dirá o Papa Leão XIV a cada um dos catequistas que provêm de Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal, Brasil, México, Índia, Coreia do Sul, Timor-Leste, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Estados Unidos, Moçambique, Peru e República Dominicana.
Educris|28.09.2025




