Organização católica Justiça e Paz Europa manifestou “profunda preocupação” com a espiral de violência que atualmente afeta o Irão e toda a região do Médio Oriente, apelando à desescalada do conflito e ao regresso ao diálogo diplomático.
Numa declaração assinada pelos copresidentes Antoine Hérouard e Maria Hammershoy, a organização católica expressa particular solidariedade para com as populações afetadas pela situação atual.
Os responsáveis afirmam ter “particularmente no coração as populações afetadas no Irão e em toda a região, que agora passam por mais uma provação, após anos de tribulação e angústia”.
No texto, enviado hoje ao EDUCRIS, a organização recorda que “nenhum país, por mais poderoso que seja, deve colocar-se acima dos princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, advertindo que as ameaças mútuas e o recurso às armas “nunca podem constituir uma solução duradoura para os conflitos”.
Segundo os copresidentes, o uso da força tende antes a agravar a situação, pois “aprofundam o ressentimento e o ódio, desestabilizam regiões inteiras e corroem os próprios alicerces da paz e da segurança globais”.
A declaração sublinha ainda que a atual escalada de violência reflete “uma lógica de confronto que domina cada vez mais a política global”, afastando-se dos princípios da legítima defesa, que exigem que todos os meios pacíficos sejam esgotados antes de recorrer à força como último recurso.
A Justiça e Paz Europa associa-se assim ao apelo recente do Papa Leão XIV, que pediu “a todas as partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de travar a espiral de violência” e regressem ao caminho do “diálogo razoável, sincero e responsável”.
Na declaração, a organização sustenta que apenas uma “diplomacia orientada para o bem comum poderá sustentar a esperança num futuro estável”, e defende que o diálogo deve salvaguardar “o bem-estar dos povos que anseiam por uma existência pacífica baseada na justiça”.
Os copresidentes apelam também à União Europeia e à comunidade internacional para que “intensifiquem os esforços diplomáticos com vista à desescalada do conflito e ao pleno respeito pelo direito internacional”, incluindo o direito internacional humanitário.
O documento sublinha que “o respeito pela dignidade inerente a cada pessoa humana e a preocupação particular com os mais pobres e vulneráveis devem permanecer no centro destes esforços”, defendendo que o bem das populações deve prevalecer sobre quaisquer interesses políticos, estratégicos ou económicos.
A concluir, a declaração convida os cristãos a rezar pela paz neste tempo de Quaresma, evocando o desejo de uma paz “simultaneamente desarmada e desarmante”, capaz de tocar os corações daqueles que têm responsabilidade pelo bem comum.
“Que o Médio Oriente, e, na verdade, o mundo inteiro, embarquem finalmente no caminho que conduz à justiça, à reconciliação e à paz duradoura”, concluem os responsáveis da Justiça e Paz Europa.
Imagem: AIS – Síria
Educris|05.03.2026




