Na Missa da Ceia do Senhor, na Basílica de São João de Latrão, em Roma, o Papa afirmou que a verdadeira grandeza de Deus se manifesta no serviço humilde e no amor levado “até ao extremo”.
Leão XIV desafiou hoje aos cristãos a imitarem “Cristo no serviço aos outros” e na “vivência da Eucaristia”.
No início do tríduo pascal, e na sua homilia, o Santo Padre centrou a sua reflexão no gesto do lava-pés, sublinhando que “este não é apenas um exemplo moral”, mas a “revelação da própria forma de agir de Deus”. Segundo explicou, Jesus mostra que a omnipotência divina não se manifesta no poder ou no domínio, mas na humildade e na entrega total.
“O que o Senhor nos faz ver, pegando na água, na bacia e na toalha, é muito mais do que um modelo moral. Ele transmite-nos a sua própria forma de vida”, afirmou, para explicar que o gesto de lavar os pés sintetiza toda a vida e missão de Cristo.
O Pontífice alertou também para a tentação de “procurar um Deus associado ao sucesso e ao poder”, esquecendo que Deus “se revela sobretudo no amor que serve e se entrega”. Nesse sentido, explicou que “Cristo purifica não apenas a imagem de Deus, mas também a imagem que o homem tem de si próprio”, frequentemente marcada pela lógica da dominação e da força.
“O Senhor não nos ama porque somos bons e puros: Ele ama-nos e, por isso, nos perdoa e purifica”, afirmou o Papa Leão XIV, sublinhando que o amor de Deus vem sempre primeiro e transforma a vida humana.
Na homilia, o Papa destacou ainda que os cristãos são chamados não a retribuir o amor de Cristo diretamente, mas a partilhá-lo entre si, vivendo o mandamento do serviço recíproco.
“Deveis lavar os pés uns aos outros”, recordou, explicando que o verdadeiro seguimento de Cristo passa pela caridade concreta e pela dedicação aos outros, especialmente aos mais frágeis.
O Santo Padre referiu também o significado da Quinta-feira Santa como dia da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, sublinhando a ligação profunda entre ambos. A Eucaristia, afirmou, é o sacramento da unidade, da caridade e da presença real de Cristo, confiado à Igreja como memorial permanente da sua entrega.
Na parte final da homilia, o Papa Leão XIV deixou um apelo à fraternidade e à solidariedade num mundo marcado pela violência e pela injustiça, convidando os cristãos a ajoelharem-se diante dos que sofrem, à semelhança de Cristo que se ajoelhou para lavar os pés dos discípulos.
“Ajoelhemo-nos também nós, como irmãos e irmãs dos oprimidos”, afirmou o Papa Leão XIV, convidando todos os fiéis a viverem a adoração eucarística da noite de Quinta-feira Santa como um momento de contemplação do amor de Cristo e de compromisso com o serviço aos outros.
Educris|02.04.2026




