Roma: Alunos do Algarve na cidade eterna. «Mostramos que aquilo que é trabalhado em sala não é abstrato», afirma Adriano Batista

Alunos do Agrupamento de Escolas de Silves desafiados a trilhar novos mapas de esperança em visita de estudo.

Vinte e quatro alunos do Agrupamento de Escolas de Silves participaram numa visita de estudo a Roma, acompanhados por dois professores, numa iniciativa promovida no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). A viagem ficou marcada pela participação na audiência geral e pelo cumprimento ao Papa Leão XIV no final do encontro por parte de uma aluna e um professor em representação da comitiva.

A visita, integrada no projeto educativo da disciplina, procurou proporcionar aos alunos uma experiência de formação humana, cultural e espiritual.

“Quisemos, sobretudo, oferecer aos alunos uma experiência abrangente de formação: ao nível humano, cultural, religioso e relacional”, explica o professor Adriano Batista ao EDUCRIS.

O docente sublinha que levar os alunos a Roma permitiu mostrar-lhes que “naquela cidade se cruzam história, cultura e espiritualidade”, possibilitando aos alunos o contacto direto com as raízes da tradição cristã, e “perceberem que aquilo que é trabalhado em sala de aula não é abstrato, mas faz parte de uma história viva que tem expressão no mundo atual”.

A passagem pela Cidade Eterna terminou com um dos momentos mais marcantes da viagem: a participação na Audiência Geral de quarta-feira, onde o professor Adriano Batista e uma aluna tiveram a oportunidade de cumprimentar o Papa Leão XIV.

Para o professor, este momento ajudou os alunos a perceber que “fazem parte de algo maior”, permitindo “alargar os seus horizontes e combater uma visão de gueto, de pequeno grupo, no fundo, uma visão individualista e egoísta da vida”.

O docente considera ainda que experiências como esta vão ao encontro do apelo do Papa a “trilhar novos mapas de esperança”, explicando que esses mapas “não são geográficos, mas humanos, já que se constroem sempre que procuramos levar cada aluno a sair de si, a abrir-se ao mundo, ao outro e ao Transcendente”.

Alunos destacam experiência única

Os alunos que participaram na visita destacam a oportunidade como uma experiência única de aprendizagem e crescimento pessoal. Tomás Fernandes confessou que inicialmente tinha receio por nunca ter viajado de avião nem saído do país, mas que acabou por se encantar com a cidade: “Vi coisas inefáveis como o Coliseu, a Fontana di Trevi e o Papa. Foi como se fosse uma criança alegre a presenciar fenómenos inauditos”, relata.

Já Gonçalo Rodrigues sublinha a importância cultural e religiosa da experiência, afirmando que escolheu EMRC porque considera importante “conhecer as raízes culturais e religiosas da sociedade em que vivo”, acrescentando que a visita ajudou a compreender melhor o cristianismo ao longo da história.

Também Filipa Cruz destacou a “dimensão educativa da viagem^”, referindo que foi “uma oportunidade única de conhecer um lugar com tanta importância histórica e religiosa” e de aprender “fora da sala de aula, de uma forma mais prática e envolvente”.

Desafios da EMRC e formação integral

Questionado sobre os desafios atuais da disciplina, sobretudo no ensino secundário, o professor Adriano Batista afirma que a EMRC enfrenta “desafios muito exigentes”, mas sublinha que esses desafios devem levar à criatividade e à capacidade de diálogo com os alunos. Para o docente, a disciplina deve ser “um espaço para o questionamento e para a reflexão”, ajudando os jovens nas questões da identidade, dos valores, da justiça, da fraternidade e da paz.

O professor destaca ainda a importância das visitas de estudo como complemento das aulas, afirmando que “este tipo de atividades são uma extensão da sala de aula: criam experiências marcantes, despertam interesse e ajudam a que a EMRC cumpra a sua missão essencial — contribuir para a formação integral dos alunos, não só como estudantes, mas como pessoas conscientes, livres e responsáveis”.

A religião ajuda-nos a perceber melhor o mundo

Os alunos, do ensino secundário, optaram pela frequência da disciplina por considerarem que “a religião faz parte da cultura e da história da humanidade, e percebê-la ajuda-nos a compreender melhor o mundo”.

 “A EMRC não é só para quem é cristão — também nos ensina valores, ética e a respeitar diferentes visões”, sustenta Gonçalo Rodrigues.

Já Filipa Cruz revela ter optado pela EMRC porque “esta disciplina promove a reflexão crítica, o respeito pelos outros e o desenvolvimento de valores essenciais para a vida em sociedade”.

Por outro lado, EMRC faz-me pensar em questões que as outras disciplinas não tocam como: o sentido da vida, os valores e a forma como nos relacionamos com os outros.

Tomás Fernandes considera mesmo que a EMRC é “importante no secundário” porque “funciona como uma ferramenta de educação integral que vai além da vertente confessional”.

EMRC: Uma casa aberta a todos, pronta para o diálogo e a reflexão

No final da visita a Roma o professor Adriano Batista faz um balanço positivo da iniciativa e sustenta que “sobretudo no Ensino Secundário”, a EMRC tem hoje “desafios muito exigentes”.

“Acredito que a missão do docente é também a de mostrar que a EMRC é uma casa aberta a todos, todos, todos, independentemente da sua crença ou da sua não crença. Na heterogeneidade que são as salas de aula atuais, o professor tem ‘matéria prima’ para trilhar com os alunos o caminho da verdadeira Fraternidade, onde cada qual olha o outro como um irmão e um amigo, compreendendo que as diferenças são uma oportunidade de conhecimento mútuo e não uma ameaça a ninguém”, sustenta.

O docente considera que “numa fase de estudo” muito centrada nos resultados, a presença da EMRC é “ajuda a pensar além do básico” e isso só se pode fazer depois de estabelecer com os adolescentes “uma relação pessoal” para que se possa depois “dialogar com as inquietações reais dos alunos”.

“Temos de os ajudar na procura de identidades, nas relações, nos valores, na justiça, na fraternidade, na paz. Mais do que transmitir conteúdos a EMRC tem de ser um espaço para o questionamento e para a reflexão”, completa.

Educris|06.04.2026

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