Benção Urbi et Orbi: «Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal», pede o Papa

Na mensagem “Urbi et Orbi” de Páscoa, o Papa Leão XIV apelou ao fim da indiferença perante a violência e convidou à conversão à paz, afirmando que a Ressurreição de Cristo é a verdadeira força capaz de transformar o mundo.

Na manhã de Páscoa, a partir da varanda da Basílica de São Pedro, o Santo Padre afirmou que a Páscoa é “uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”.

Aos milhares de fiéis, reunidos na praça de São Pedro, o papa americano recordou que esta vitória teve “um preço elevado”, com a morte de Jesus na cruz, mas que é precisamente esse “dom total que traz a salvação à humanidade.”

Papa o papa a Ressurreição não resulta de uma força humana ou violenta, mas do próprio amor de Deus.

“Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até ao fim, Amor que perdoa e resgata”, afirmou o Papa Leão XIV, destacando que é este amor que vence definitivamente o mal.

Insistindo no carácter não violento da vitória de Cristo, comparando-a a um grão de trigo que, ao morrer, dá fruto, ou a um coração que responde ao mal com o perdão, o papa reiterou que “esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade”, uma força que constrói “relações justas e promove o bem comum”.

Leão XIV sublinhou ainda que a Ressurreição inaugura uma nova humanidade, fundada na justiça, na liberdade e na paz, onde todos se reconhecem como irmãos, e alertou que tal realidade exige uma resposta livre de cada pessoa, podendo o homem acolher a esperança ou fechar-se no medo e na mentira.

Recuperando o pensamento do seu antecessor, o Papa Francisco, o pontífice voltou a denunciar “a crescente indiferença” perante o sofrimento humano e os conflitos no mundo atual.

“Estamos a habituar-nos à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes”, afirmou, alertando para uma “globalização da indiferença” que desumaniza a sociedade.

Perante este cenário, deixou um apelo direto à responsabilidade individual e coletiva.

“Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz!”.

O Papa sublinhou que a verdadeira paz não se impõe pela força, mas constrói-se através do diálogo, do encontro e da transformação do coração.

O Pontífice insistiu ainda que não é possível permanecer passivo diante do mal, afirmando com firmeza.

“Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal!”.

Na parte final da mensagem, o Papa Leão XIV apelou à oração pela paz e anunciou uma vigília na Basílica de São Pedro, a 11 de abril, convidando todos a unirem-se neste pedido.

“Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração!”, completou.

Imagem: Vatican Media

Educris|05.04.2026

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