
Francisco encontrou-se com 71 jovens de 41 países do projeto educativo global
O Papa Francisco alertou hoje os jovens das «Scholas Occurrentes» para o perigo das comunidades que vivem “sem coração”, fechadas no “socialmente correto” e que perdem a “originalidade”.
“Um dos perigos das comunidades humanas de hoje é o de perder a capacidade de encontro com o Outro. Quando isto acontece vamos fossilizando-nos, caímos no socialmente correto, sem originalidade”, lamentou.
Francisco reafirmou a ideia de que é preciso não ter medo de “entrar na vida” e assumir-se como “contracorrente”.
“Se começarmos a viver de acordo com o coração andaremos em contramão? Sim, mas de modo mais verdadeiro. Temos que entrar na vida, correr o risco, sem medo”, incentivou.
A um jovem refugiado do Uganda que o questionou sobre como “pode hoje a comunidade internacional dar esperança a tantos refugiados” o Papa lembrou “tantos que saiem à procura de uma vida melhor. Não se trata de sair para turismo, mas arriscar a vida, ser submetido a torturas, ficar prisioneiros de máfias”.
“Não falamos de números, mas de irmãos e irmãs que fugiram e foram preso, em autênticos campos de concentração. Falar de refugiados é falar de gente sem caminho seguro, e caminhar sem saber para onde”, afirmou no Colégio Pontifício Internacional Maria Mater Ecclesiae, em Roma.
Dando um testemunho pessoal a partir “dos muitos refugiados com que tenho falado” o Papa explicou que a “vida de refugiado é muito dura”, é viver na rua, “não na rua da tua cidade”, mas na rua da vida onde “se ignorado, espezinhado, tratado como nada”.
“Temos que abrir o nosso coração à vida dos refugiados. Não são turistas, ou pessoas que fogem por razões comerciais, mas alguém que arrisca a vida para viver. E hoje somos levados à psicologia da indiferença”, pediu.
Para Francisco é preciso pensar “no exemplo que me pode dar um refugiado, o que me pode dar a vida de um refugiado, como tenho de agradecer a vida e não ter de escapar da minha pátria”, concluiu.
Os jovens do projeto «Scholas Occurrentes» estão a reunidos até ao próximo domingo partilhando experiências vividas durante a pandemia nas diferentes comunidades de todo o mundo.
‘Scholas Occurrentes’ é uma organização internacional de direito pontifício presente em 190 países nos cinco continentes e que integra meio milhão de redes educativas.
Educris|26.11.2021
Imagem: Scholas Occurrentes



