
Na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu hoje sobre a Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo atual, convidando os fiéis a reencontrar na esperança cristã o sentido mais profundo da vida
No âmbito do ciclo de catequeses dedicado ao Jubileu de 2025, o Papa Leão XIV voltou esta quarta-feira à Praça de São Pedro para abordar o tema “Jesus Cristo, nossa esperança”, centrando-se na Ressurreição como “fonte viva da esperança humana”.
Perante milhares de peregrinos, o Santo Padre destacou que “a nossa vida é cadenciada por inúmeros acontecimentos”, onde “às vezes nos sentimos alegres, outras tristes, realizados ou desmotivados”. Contudo, sublinhou que, apesar das limitações humanas, o coração do homem “anseia por uma plenitude que só Deus pode oferecer”.
“Na verdade, não fomos criados para a falta, mas para a plenitude, para rejubilar com a vida, com a vida em abundância”, recordou, citando o Evangelho de João.
O Papa alertou para o perigo de procurar essa plenitude em bens materiais ou prestígio social, frisando que “a resposta última não se encontra no poder nem no ter, mas na certeza de que existe alguém que se faz garante deste impulso constitutivo da nossa humanidade”. Essa certeza, afirmou, “coincide com a esperança”.
“Não significa pensar de modo otimista”, advertiu. “O otimismo muitas vezes desilude, vê implodir as nossas expectativas, enquanto que a esperança promete e cumpre.”
Leão XIV afirmou que é precisamente na Ressurreição de Cristo que essa esperança encontra o seu fundamento mais sólido. “Jesus Ressuscitado é a garantia desta meta! Ele é a fonte que sacia a nossa aridez, a sede infinita de plenitude que o Espírito Santo instila no nosso coração”, disse.
Recorrendo a uma imagem simbólica, o Pontífice comparou Cristo a uma nascente inesgotável e imutável que está sempre pura e pronta para o que tem sede.
“O Ressuscitado é a fonte viva que não torna árido nem sofre alterações. Permanece sempre pura e pronta para quem quer que tenha sede.”
Citando Santo Agostinho, o Papa evocou a busca incessante do coração humano por Deus:
“Infundiste a tua fragrância; e respirei e anseio por ti; saboreei, e tenho fome e sede; tocaste-me, e ardi de desejo da tua paz.”
Para Leão XIV, o mistério da Ressurreição transforma a própria história humana “a partir de dentro”, oferecendo sentido até ao sofrimento e à dor. “Jesus ressuscitado não faz descer uma resposta do alto”, observou, “mas torna-se nosso companheiro nesta viagem muitas vezes cansativa, dolorosa, misteriosa.”
No encerramento da catequese, o Papa apelou à confiança e à perseverança:
“O Ressuscitado garante a meta, conduz-nos para casa, onde somos esperados, amados, salvos. Percorrer o caminho com Ele ao nosso lado significa experimentar que somos sustentados não obstante tudo.”
Concluindo com uma nota de esperança, Leão XIV afirmou que da Ressurreição de Cristo “brota a esperança que nos faz saborear, apesar do cansaço da vida, uma profunda e alegre quietude: aquela paz que só Ele nos poderá conceder no fim, sem fim”.
Imagem: Educris
Educris|15.10.2025




