
Francisco lembrou o modo como surge o medo que leva aos nacionalismos e abordou a possibilidade de um “Holocausto nuclear” após os acordos entre Americanos e Russos terem sido suspensos.
O Papa recebeu hoje os Membros da Pontifica Academia das Ciências Sociais. No seu discurso Francisco lembrou os estados-nações que hoje “procuram implementar relações num espirito de oposição e de não cooperação” contribuindo para “o não exercício do bem comum” em zonas onde das tensões de agravam “pela reivindicação excessiva de soberania da parte dos Estados” não preocupados em proteger “o bem comum”.
“A Igreja observa com preocupação o ressurgimento, um pouco por todo o mundo, de correntes agressivas com estrangeiros, especialmente imigrantes, bem como o crescente nacionalismo que negligencia o bem comum”, explicou o Pontífice.
No encontro que reflete sobre a «Nação, Estado, Estado Nação» e que decorre até esta sexta-feira no Vaticano, o Papa Francisco lembrou os “desafios globais que a humanidade enfrenta” e destacou “o desenvolvimento integral, a paz, o cuidado do lar comum, mudanças climáticas, pobreza, guerra, migração, tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos, proteção do bem comum, novas formas de escravidão” como prioritárias na relação entre os povos.
Francisco citou São Tomás de Aquino para recordar que o Estado deve estar “ao serviço da pessoa e dos agrupamentos naturais de pessoas como a família, os grupos culturais, a nação como expressão da vontade e dos costumes profundos de um povo, o bem comum e a paz” e denunciou o aparecimento, “com demasiada frequência, de estados que são escravizados aos interesses de um grupo dominante, principalmente por razões de lucro económico, o que oprime, entre outros, as minorias étnicas, linguísticas ou religiosas que estão no seu território”.
Num mundo global o pontífice sustentou que “o estado-nação não pode ser considerado em absoluto, como uma ilha no que diz respeito ao contexto circundante” por que “o bem comum” se tornou “global” exigindo, por isso “uma autoridade legal e supranacional” que “facilite a sua implementação”.
“A humanidade evitaria, assim, a ameaça de recorrer a conflitos armados sempre que surgir uma disputa entre estados nacionais, além de evitar o perigo da colonização económica e ideológica das superpotências, evitando a opressão dos mais fortes sobre os mais fracos, atentando para a dimensão global sem perder de vista a dimensão local, nacional e regional”, apelou.
Francisco apontou a “globalização esférica”, que “nivela as diferenças e sufoca a localização” como facilitadora do processo que faz “ressurgir tanto os nacionalismos quanto os imperialismos hegemónicos” e pediu uma “globalização poliédrica” que “reconheça a identidade coletiva de cada povo e nação” de acordo com o principio de que o todo “vem antes das parte de modo a se chegar a um estado geral de paz e harmonia”.
“Um Estado que nutre “sentimentos nacionalistas do seu povo contra outras nações ou grupos de pessoas” leva a desvios “que sabemos onde nos conduzem”, sustentou.
Numa altura de eleições na europa Francisco apelou aos governantes que tenham sempre em atenção “o grande bem social que é a paz” e revelou-se triste pelo que afirmou ser “uma época em que o desarmamento nuclear multilateral parece ultrapassado e não se desperta a consciência política das nações que possuem armas atómicas”.
“De facto, parece hoje abrir-se uma nova época de confronto nuclear inquietante. Se, agora, forem colocadas armas nucleares ofensivas e defensivas não só sobre a terra, mas também no espaço, a chamada nova fronteira tecnológica terá aumentado e não diminuído o perigo de um holocausto nuclear”, advertiu.
Francisco pediu o fim dos discursos que promovem “a exclusão e o ódio de outros”, bem como do “nacionalismo conflituoso que levanta muros, na verdade até mesmo racismo ou antissemitismo”.
“A forma como uma nação acolhe os migrantes revela a sua visão da dignidade humana e a sua relação com a humanidade. Cada pessoa humana é um membro da humanidade, tem a mesma dignidade. Quando uma pessoa ou família é forçada a deixar a sua terra, ela deve ser acolhida com humanidade”, observou.
Educris|02.05.2019
Imagem: Vatican.va




