Vaticano 27-29 de Outubro de 2014
1. Convocado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, pela Academia Pontifícia de Ciências Sociais e diversos movimentos populares do mundo sob a inspiração do Papa Francisco, realizou-se na Cidade do Vaticano o primeiro Encontro Mundial de Movimentos Populares de 27 a 29 de Outubro, que reuniu cerca de 180 participantes, representantes de todo o mundo. O Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), participou neste encontro como Orador e fez-se ainda representar pelos movimentos nacionais: a HOAC de Espanha e a LOC/MTC de Portugal.
2. As jornadas desenvolveram-se procurando praticar a Cultura do Encontro e integrando companheiros, companheiras, irmãos e irmãs, de distintos continentes, gerações, ofícios, religiões, ideias e experiências. Além dos setores representativos dos três eixos principais do encontro (Terra, Trabalho, Casa), participaram um número considerável de bispos e agentes pastorais, intelectuais e académicos, que contribuíram significativamente para o encontro, sempre respeitando o protagonismo dos setores e movimentos populares.
3. Perante os grandes problemas e desafios que enfrenta a família humana (especialmente exclusão, desigualdade, violência e crise ambiental) os diversos oradores concordam que se deve buscar na natureza desigual e predatória do sistema capitalista, que coloca o lucro acima do ser humano, a raiz dos males sociais e ambientais, ou seja, no enorme poder das empresas transnacionais que pretendem devorar e privatizar tudo – mercadorias, serviços, pensamento.
4. Neste ambiente de debate apaixonado e fraternidade intercultural, tivemos a inesquecível oportunidade de viver um momento histórico: a participação do Papa Francisco no nosso Encontro que sintetizou em seu discurso grande parte da nossa realidade, as nossas denúncias e as nossas propostas. A claridade e contundência das suas palavras não admitem duas interpretações e reafirmam que a preocupação pelos pobres está no centro do Evangelho.
5. O acesso pleno, estável, seguro e integral à terra, o trabalho e habitação, constituem direitos humanos inalienáveis, inerentes às pessoas e sua dignidade, que devem ser garantidas e respeitadas.
6. Alegramo-nos e estamos agradecidos pela oportunidade de participar neste encontro porque longe de ficarmos na auto compaixão e nos lamentos por todas estas realidades destruidoras, os movimentos populares reunidos neste Encontro, acreditam que os excluídos, os oprimidos, os pobres não resignados, organizados, podem e devem enfrentar com todas as suas forças a caótica situação a que este sistema nos levou.
Lisboa, 7 de novembro de 2014
A Equipa Executiva Nacional da LOC/MTC