Contou com a participação de membros da LOC/MTC de várias dioceses de Portugal, e membros de outras organizações nacionais e internacionais a saber: KAB da Alemanha, ACO e HOAC de Espanha, CFTL – Centro de Formação e Tempos Livres e BASE-FUT, JOC – Juventude Operária Católica, FIDESTRA, CESMINHO, do EZA e do MTCE – Movimento Europeu de Trabalhadores Cristãos. A mesa de abertura foi constituída pela Coordenadora Nacional da LOC/MTC, Fátima Pinto, o Assistente Nacional do Movimento, P. Pedro Lima, a Vice-presidente do EZA, Maria Reina, o representante da Câmara Municipal de Leiria, Dr. Luís Lopes, e presidida por D. José Ornelas, Bispo de Leiria-Fátima.
O seminário partiu de uma realidade concreta: a região de Leiria foi devastada em janeiro pela tempestade Kristin. A extraordinária onda solidária que se seguiu demonstrou que a cidadania ativa é indispensável para responder a desafios como as alterações climáticas, as guerras, a pobreza e a desinformação.
O Seminário decorreu com a ajuda de especialistas e com a participação de todos os presentes.
As organizações de trabalhadores necessitam reforçar a capacidade de perguntar, de escuta atenta, e de formação profissional e cívica integral. Um trabalhador que conhece plenamente os seus direitos e deveres, a função de um sindicato e o valor da ação coletiva estará mais capacitado para uma cidadania ativa.
Foi analisada a situação em vários países europeus. Cresce a proporção de pessoas ameaçada pela pobreza ou exclusão social, com particular incidência em famílias monoparentais, desempregados e imigrantes. A pobreza não é apenas carência material – limita a participação cívica: quem é socialmente desfavorecido tende a votar menos, a envolver-se menos e a confiar menos nas instituições.
O poder das organizações de trabalhadores não se esgota no poder estrutural ou associativo – é preciso também poder institucional e de influência: mobilizar para o voto e para o combate à extrema-direita; estar presente ativamente nas redes sociais e nos meios de comunicação; falar ao “coração” da sociedade, atuando em rede de parcerias com movimentos sociais, associações culturais, universidades, movimentos ambientais, e iniciativas de base; realizar ações públicas de proximidade, que combatam o individualismo e a desinformação; oferecendo uma mensagem de esperança e libertação no mundo do trabalho.
Foram relembrados alguns desafios lançados pelo Papa Leão XIV na encíclica “Humanidade Magnífica” colocados pela inteligência artificial e transformação digital. O poder futuro digital, e consequentemente do futuro do trabalho, está concentrado nas mãos de um pequeno número de atores privados globais. Mas a inovação tecnológica deve ser subordinada à verdade, à liberdade, à dignidade da pessoa e ao bem comum.
Foi sublinhada a importância de ouvir o sofrimento – o das pessoas concretas, não apenas diagnósticos abstratos – e de combater o desânimo e o sentimento de impotência. Organizar a esperança significa acreditar que somos semente de algo novo no meio de um mundo velho.
Foram identificadas linhas de ação fundamentais: assumir a nossa interdependência e os limites do planeta; construir laços de proximidade; valorizar a diversidade como riqueza; tecer comunidade e reinventar o comum; reconhecer e denunciar o “desenvolvimento” que atenta contra a vida; apoiar experiências alternativas de economia solidária e participação comunitária.
Constatamos que a fraca participação cívica e sindical não é um acaso. As organizações de trabalhadores não podem limitar a sua atuação às condições laborais dos seus setores – têm de se organizar e agir coletivamente em defesa de direitos civilizacionais: qualidade do ensino, acesso à saúde, habitação, proteção na infância e na velhice. Não se podem deixar de fora os trabalhadores desempregados, reformados, domésticos, cuidadores, imigrantes indocumentados, informais e isolados em teletrabalho. Como lembrou o Papa Francisco, “ninguém se salva sozinho”.
Nessa perspetiva, importa assumir uma cidadania europeia ativa, conhecer as instituições da EU, fortalecendo a cooperação transnacional entre organizações de trabalhadores; reivindicando uma Europa verdadeiramente social e fraterna, que coloque os direitos sociais no centro e não os subordine a interesses orçamentais ou de guerra; e valorizando a comunidade e a esperança organizada.
O seminário concluiu que a cidadania ativa não nasce sozinha – precisa de segurança social, educação, espaços democráticos e organizações que sirvam de ponte. As organizações de trabalhadores, e em particular a LOC/MTC, continuarão a ser uma escola de democracia participativa, um lugar de esperança e uma voz profética na defesa da dignidade do trabalho.
Lisboa, 7 de junho de 2026
A Coordenação Nacional da LOC/MTC
(O seminário foi financiado pela União Europeia, com a colaboração do EZA.)