Agradecemos o convite para participar neste importante encontro de Solidariedade com o Povo Palestino. Saudamos todos os presentes, em particular aqueles que aqui nos transmitiram na primeira pessoa, o que é viver na Palestina e o que é ser Palestino.
O convite que nos dirigiram, constituiu para a LOC – Movimento de trabalhadores Cristãos, uma oportunidade de aproximação à vida concreta dos trabalhadores e trabalhadoras da Palestina. Embora, geográficamente distantes, acreditamos que o destino dos Povos se cruza genuinamente, em momentos de reunião, como este.
O gesto do Papa Francisco de reunir, provocar o encontro entre líderes religiosos muçulmanos, judaicos e ele próprio. Foi um gesto que, pelo seu simbolismo, é revelador dos caminhos a seguir.
Na "cultura do encontro" que o Papa vem promovendo em gestos e palavras, não há vencidos nem vencedores, há respeito e acolhimento pela diferença. O outro (pessoa, povo ou religião) não é visto como inimigo mas como parceiro, sujeito de valores, de uma história que, no encontro, pode enriquecer as partes.
Acreditamos também na importância de falarmos sobre pessoas concretas e as injustiças que as vitimizam. Tão grave como a injustiça ou a violência, são os silêncios que pairam sobre elas que conduzem à ignorância sobre a realidade, à aceitação do inaceitável, ou a inconsciência sobre a nossa condição de família humana.
Para a LOC, tal aproximação é fundamental para o nosso compromisso cristão.
Que passa por caminhar lado a lado com aqueles que sofrem, e se necessário, assumir a radicalidade de Cristo e sofrer com eles também.
Que passa pelo dever profético de denuncia das injustiças e anuncio de que é possível construir uma sociedade justa e fraterna, sob dois pilares insubstituiveis – a Paz e a Solidariedade entre os Povos.
Por isso, manifestamos aqui  total solidariedade com o Povo Palestino, com os seus trabalhadores e trabalhadoras, incansáveis na construção da Paz e na reconstrução de uma Terra que clama pelo seu Povo e de um Povo que clama pela sua Terra.
Solidariedade com a sua luta, pelo direito a ter um país e a viver em paz e com dignidade.
Solidariedade que está inscrita nos Estatutos deste Movimento de Ação Católica, onde podemos ler:
 “A LOC/MTC participa na construção de uma sociedade nova, pela critica e denuncia dos erros da sociedade atual, iluminando com o espírito do Evangelho as realidades concretas …. assumindo  e desenvolvendo na sua ação os valores que antecipam, anunciam e criam as condições dessa sociedade nova."
Solidariedade para a conquista de uma sociedade justa e sustentável, em que todos devem e podem ter lugar.
Conhecemos pouco da realidade dos trabalhadores palestinos. O que sabemos do Povo Palestino, chega à generalidade das pessoas, através dos meios de comunicação social, o que é manifestamente pouco e demasiadamente politizado. Chegam-nos imagens inacreditáveis de destruição, de morte, de sangue, de lágrimas e de gritos. Mas até essas, que nos deviam despertar e indignar, por vezes confundem-nos. Perante essas imagens que invadem as nossas salas, sentimo-nos sós em frente ao mal e logo corremos a mudar de canal, ou a desligar a TV.
É claro que não deixamos de sentir, não deixamos de ver ou ouvir o clamor dos outros, mas a violência das imagens tem a estranha capacidade de sobrepor o sofrimento e o horror em massa, à pessoa única e irrepetível.
Preocupa-nos esta condição, esta fragilidade humana perante o mal extremo que acontece tão próximo de nós porque atinge aqueles que chamamos de irmãos e ao mesmo tempo tão longe de nós, quando aceitamos que nada podemos fazer para acabar com o seu sofrimento.
Por isso, enquanto Cristãos e enquanto Movimento de Ação Católica procuramos ter sempre presente a nossa disponibilidade para despertar as consciências e para uma aproximação efetiva entre os trabalhadores.
Fazemos falta uns aos outros, para melhor resistir ao desânimo, para limpar o sangue e as lágrimas, para reconstruir a centralidade da pessoa humana e jamais deixar que as imagens se repitam, mesmo que elas insistam em repetir-se todos os dias.
Por isso, é fundamental reforçar as relações internacionais entre os trabalhadores que acontecem sobretudo ao nivel sindical.  Contudo, no nosso entender, existem outros campos de ação que devemos considerar, entre os quais a possibilidade de encontro entre os trabalhadores cristãos, nos quais se incluem muitos trabalhadores palestinos.
O Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, que prossegue o objetivo de construir a solidariedade internacional, no qual  LOC participa, em representação dos trabalhadores cristãos portugueses, está presente em cerca de 55 países nos vários continentes, pode ser um importante agente facilitador de pontes para a ação, se concretizarmos a sua implementação na Palestina.
Não é demais dar-Vos a conhecer um pequeno mas significativo parágrafo, da mensagem do 1º de Maio divulgada pelo MMTC, onde se pode ler: “acreditamos na capacidade dos trabalhadores em resistir coletivamente à injustiça. Todos os dias, vemos trabalhadores a reagir às injustiças através de greves e de manifestações em todos os continentes: eles exigem justiça e igualdade na satisfação das necessidades humanas. E estas ações de solidariedade são sinais de esperança para os trabalhadores de todos os países.”
A Esperança é pois uma vivência que nenhuma pessoa, nenhum Povo deve abandonar.
Por vezes, a Esperança é banalizada, deixa de ser vivida para passar a ser uma ideia,  um ideal ou uma palavra bonita para acalentar o coração. “A esperança é a última a morrer. Enquanto à vida a esperança, etc. etc.”
Mas, quando a Esperança é pertença de um Povo , tranforma-se numa força maior, quase divina. Por isso, quando se quer destruir uma pessoa ou um Povo, começa-se por tentar destruir a Esperança. E todos os caminhos. E todas a vozes. E todas as vontades.
Tarefa impossível, devemos afirmar, enquanto subsistir um caminho, uma voz, uma vontade. Sendo certo que tudo o que se compartilha, multiplica-se.
Por isso, é que para nós Cristãos, é tão importante compartilhar a novidade da reissurreição de Jesus, por isso é tão importante anunciá-la com o sentido da vitória do bem, sobre o mal, aqui e a cada dia, neste Reino dos Céus a que chamamos Terra.
A Esperança tem a sua sede nas profundezas da dignidade humana, nascente da paz verdadeira que se sobrepõe a todas as guerras, incluindo aquelas que moram dentro de nós e que nos impedem de avançar e de agir.
Termino com uma pequena frase do Papa Francisco, perfeita para todos Nós e para os Movimentos que aqui representamos:
“Não nos cansemos de trabalhar por um  mundo mais justo e solidário”
O Povo Irmão da Palestina, Pode contar connosco!
Muito obrigada