"O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se juntos, e não poderemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social… Hoje não podemos deixar de reconhecer que um verdadeiro problema ecológico converte-se sempre num problema social, que deve integrar a justiça nas discussões sobre o ambiente, para escutar tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres." (LS §. 48 e 49)
Com esta mensagem central que representa a opinião dos países do Sul e propõe uma "ecologia holística" (LS §.10), o papa Francisco retoma a preocupação central do «Movimento dos Trabalhadores Cristãos da Europa (MTCE)". No contexto da nossa cooperação internacional através do "Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos", tornam-se visíveis as mudanças dramáticas para a população dos países do Sul, a destruição do meio ambiente e a dependência gerada pelas condições inumanas. A mensagem central da "Laudato Si" é que pobreza e assuntos meio-ambientais são indissociáveis. O problema da justiça e o da ecologia são as duas caras da mesma moeda.
Os meios de produção vigentes, as relações financeiras mundiais, o consumismo e o uso desenfreado dos recursos naturais são uma ameaça cada vez maior para a vida na terra. As consequências da economia capitalista vêem-se refletidas também na contaminação e na mudança climática. As vítimas disso são principalmente os pobres do mundo aos quais estamos a arrebatar um futuro viável dado que não podem evitar a dita mudança climática, nem a contaminação do ar nem a escassez de água potável. Enquanto os países ricos, principais causadores da mudança climática, utilizam os recursos materiais para se proteger, aumenta a discriminação nos países pobres. As secas, inundações, destroços devidos a temporais, subida do nível da água do mar e salinização dos aquíferos são algumas das consequências que colocam os países pobres num beco sem saída.
No MTCE questionamos o crescimento económico generalizado, pois para erradicar a pobreza temos que crescer no que beneficia os pobres. O debate sobre o desenvolvimento sustentável baseia-se cada vez mais numa visão crítica do crescimento económico que pode traduzir-se em conceitos como economia de pós-crescimento, economia social ou economia solidária. Nos países do Sul existem já muitas abordagens, projetos e empresas que apontam para a economia solidária, em particular na América Latina.
A fim de avançar para uma solução da mudança climática e da pobreza, necessita-se de uma cooperação mundial e de instituições e estruturas internacionais eficazes. Sem consenso, entre solidariedade e justiça, a comunidade internacional não conseguirá erradicar a pobreza no mundo. Por esta razão é fundamental firmar acordos internacionais, como um acordo mundial sobre o clima.
Estrasburgo, outubro 2015