Além do programa estipulado, para este acontecimento anual que marca o início e o fim de mais uma etapa da vivência de cada grupo base, apesar dos contratempos, a mesma assembleia contou com a presença de trinta e dois elemetos,incluindo o novo assistente diocesano, o padre Luciano Oliveira e contou ainda com a presença do Coordenador Nacional, José Paixão, da Subcoordenadora, Glória Fonseca e da presença da ex-coordenadora nacional, Fátima Almeida, que presenteou a Assembleia com uma conferência cujo tema se interligou com o lema deste triénio para o Movimento intitulado: A Dignidade do Trabalho para todos- Homem e Mulher: Viver com dignidade (ser humano que constrói e se constrói).
Assim, começou a dissertação por relevar o valor e a importância da dignidade humana que elencou em três pontos essenciais:
1.O reconhecimento do valor da pessoa, como pessoa porque é única;
2.O reconhecimento pelos direitos que tem como cidadão;
3.O reconhecimento pelo que faz que pode ser muito mais do que o simples trabalho profissional.
Apoiando-se na encíclica Laborens Exercens, explanou o trabalho humano e a dignidade como meio de edificação plena da pessoa humana, onde cada um se pode realizar como ser único e individual, contribuindo com o valor do seu trabalho para a comunidade em que se insere. Falou ainda no reverso da dignidade que advém para cada um pelo trabalho, porque este tanto pode dignificar como degradar porque pode ser o veículo de exploração da condição humana, e deu exemplos conhecidos, espelhados, infelizmente, nas condições de trabalho existentes hoje, expostas por um crise férrea que coloca em primeiro plano o medo e a insegurança nos locais de trabalho, a par de grandes desigualdades salariais, os baixos salários que tornam, por vezes, ainda mais pobre quem trabalha e ainda do fantasma transversal, a toda a sociedade, do desemprego assolador. Parafraseando a Encíclica L.E nº11 quando “o capital se apodera e domina o trabalho” verifica-se que a organização e produção inerentes ao trabalho ficam nas mãos do mercado selvagem, do poder económico e financeiro que reduz o trabalho ao valor da mercadoria e esquece-se que o capital é em última análise o produto do trabalho desenvolvido por cada homem e mulher. Continua ainda com o trabalho e a dignificação humana, dando visibilidade ao mesmo como um direito humano e divino. “Com ele pode-se constituir/formar a família e ter acesso aos bens necessários para viver, com ele cuidamos de nós e das gerações futuras e com o trabalho aperfeiçoamos a Obra da Criação.”
O trabalho humano é um meio e não um fim, pois o homem e a mulher devem ter um trabalho proporcional ao seu talento e à sua criatividade, o trabalho deve ser um meio de promoção da independência económica, do desenvolvimento e do bem-estar familiar e social. “O trabalho deve ser a base do sistema económico e social de todas as culturas.” A este propósito, a oradora citou o Papa Francisco quando em setembro visitou a Sardenha, interpelando os presentes e os cristãos, em especial, sobre o valor do trabalho e o drama do desemprego: “A falta de emprego é um sofrimento que leva – desculpem-me se sou um pouco forte, mas é a verdade – a sentir-se sem dignidade! Onde não há trabalho, não há dignidade! “O trabalho pertence assim à vocação de cada pessoa; mais, a pessoa exprime-se e realiza-se na sua atividade laboral” – e falamos de todas as profissões necessárias à condição humana – “simultaneamente, o trabalho tem uma dimensão social, pela íntima relação quer com a família, quer com o bem comum” (C.A. e CIC 2428).” Finalizando a sua intervenção, sublinhou a forma como o Homem e a Mulher se constroem e eles e ao mesmo tempo são também os construtores de toda a Humanidade; isto é são obra que se edifica pela dignidade com todos os direitos e valores inerentes à sociedade e à espiritualidade. E a dignidade não deve adaptar-se às realidades ou às vontades económicas e politicas, tem de se afirmar pelos critérios do valor humano de cada pessoa. “Devemos defender que são os trabalhadores, através do trabalho humano digno que criam riqueza que faz cada sociedade, cada cidadão ser pessoa, são eles que promovem o bem-estar laboral, familiar e social. É necessário que os mesmos sejam o centro de toda a dimensão da atividade humana, deve ser-lhe dada, por direito e justiça, a oportunidade para produzir e participar nas decisões e na distribuição da riqueza criada pelo seu trabalho.” Só assim pode ser o mentor da sua dimensão humanizante- Construir e construir-se. Apontou exemplos para propostas de reflexão sobre o trabalho humano que tem como fundamento a dignidade humana. Terminou a intervenção, frisando a necessidade que temos de afirmar as nossas convicções, enquanto militantes, encarando-as como propostas de trabalho para iniciar a expansão do movimento e apontou duas estratégias: – Fazer chegar a nossa mensagem, o nosso pensamento e as nossas propostas aos que vivem ao nosso lado, trabalham connosco, fazem parte da nossa comunidade; – Trazer novos membros para a LOC/MTC e iniciar novos grupos. A Assembleia prosseguiu com um debate de ideias, na esteira desta intervenção enriquecedora; seguiu-se a eucaristia e por fim o espaço de convívio e fraternização com lanche partilhado.
Maria Clara Martins