Durante estes dias de trabalho rezámos juntos, partilhámos a realidade social e eclesial dos nossos países e as prioridades do trabalho que desenvolvem os e as militantes dos nossos movimentos.
Durante este encontro, constatámos, que:
• Os trabalhadores e trabalhadoras mais pobres sofrem a mesma precaridade em todos os países.
• A desigualdade é consequência de políticas neoliberais aplicadas por governos de diferentes áreas políticas.
• O capital e a economia prevalecem sobre a vida das pessoas.
• Apesar de trabalharmos, cada vez somos mais pobres
• As políticas de austeridade têm provocado cortes sociais que desmantelaram o estado de bem-estar e delapidaram os nossos direitos sociais e laborais, com e sem cobertura legal.
• A maior parte dos e das jovens (em Espanha e Portugal) não encontram trabalho, e muitos vêem-se obrigados a emigrar para buscar um futuro, truncando projetos de vida e afastando-os das suas famílias.
• As reformas da legislação laboral têm provocado um grande desequilíbrio, menosprezando o diálogo com os trabalhadores e trabalhadoras e suas organizações.
• A destruição de emprego abate-se sobre milhares de famílias
• A cultura do individualismo está a travar as lutas coletivas.
Analisámos e aprofundámos ainda os discursos do Papa Francisco no Parlamento Europeu pelo seu impacto no “espírito humanista” da Europa. Verificamos a necessidade de construir juntos a democracia e reivindicamos uma nova política centrada no reconhecimento efetivo da dignidade do ser humano e da sua dimensão transcendente.
Como movimentos da Igreja, cremos ser necessária a denúncia profética: conhecer e acompanhar a realidade que vivem os trabalhadores e trabalhadoras da Europa; denunciar as condições laborais que nos impõem; continuar a dar passos para que as pessoas empurradas para “as periferias” (desempregadas, precárias, empobrecidas) sejam a prioridade de toda a Igreja. E sobretudo dar-lhes a razão da nossa esperança (cfr. 1Pe 3,14-15).
Também refletimos a nossa Acão conjunta como Movimentos de Trabalhadores Cristãos na Europa (MTCE) e Mundial (MMTC). Estamos convencidos que construir a justiça global passa por mundializar a solidariedade, defender o trabalho digno para todos e viver “não como escravos mas como irmãos” (Papa Francisco, Mensagem para o dia mundial da paz 2015).
Finalmente, manifestámos a nossa solidariedade à ACO- Ação Católica Operária, de França, e através dela a todos os cidadãos franceses, pelos acontecimentos recentes de terrorismo. Reafirmamos a nossa determinação em trabalharmos pela paz, a fraternidade e a justiça. Estas devem constituir a liberdade. Ganham maior sentido nestes dias as palavras do Papa Francisco, no discurso realizado no Parlamento Europeu: “desejo dirigir a todos os europeus uma mensagem de esperança e encorajamento. Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida”.
A partir da nossa fé em Jesus Cristo, renovamos os nossos compromissos por trabalhar por uma sociedade justa e sustentável, na Europa e em todo o mundo.
 
HOAC – Hermandad Obrera Accion Catolica, Espanha
LOC/MTC – Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos, Portugal
MCW – Movement of Christian Workers, Inglaterra
ACO – Action Catholique Ouvrière, França
ACO – Acion Catolica Obrera, Espanha