O rendimento básico
Em alguns países o debate do rendimento básico ainda não foi iniciado, noutros por sua vez está bastante avançado. Entendemos como rendimento básico um subsídio mínimo pelo qual a pessoa fique acima do limiar da pobreza, e que permita a todas as pessoas viver com dignidade. Este direito não deve estar ligado ao trabalho remunerado ou profissional.
Por outro lado o ter um rendimento básico evitaria o estigma daquelas pessoas que por qualquer causa não têm acesso ao mercado laboral. Também devemos trabalhar para evitar a rejeição do rendimento básico por parte daqueles que acreditam que este contribuiria a que aqueles que o recebessem não seriam pessoas produtivas para a sociedade. Consideramos que o rendimento básico hoje em dia é imprescindível, já que em muitos casos o trabalho remunerado não gera o salário suficiente para poder viver dignamente.
Constatamos que a sociedade atual caminha para um novo paradigma de tecnicização no qual – tal como se tenta organizar a sociedade – não há emprego para todos.
A crise atual levou muitas empresas a reduzir os seus efetivos e obrigar os seus trabalhadores a fazer horas extras em determinados momentos. Por outro lado existe um grande número de desempregados de longa duração que sofrem a sensação de indignidade que lhes provoca esta situação. As pessoas têm direito de viver de uma forma digna e ser livres para escolher o seu trabalho. Para isso é necessário assegurar uma fonte de rendimento suficiente. Uma solução seria, então, o rendimento básico financiado através da redistribuição das riquezas.
Como movimento de trabalhadores cristãos devemos basear-nos nos evangelhos e nos diversos documentos do Magistério da Igreja: doutrina social, encíclicas, etc. Há que ter presente que Jesus sempre colocava a pessoa no centro. Nós como porta-vozes do Movimento de Trabalhadores Cristãos da Europa, devemos reivindicar a superioridade moral do homem sobre o capital. O rendimento básico daria resposta a esta ideia principal que se apoiaria nos três pilares básicos do Magistério Social da Igreja: a dignidade da pessoa, o bem comum e o destino universal dos bens.
Os refugiados
A Europa vê-se confrontada com uma situação totalmente nova para a maioria dos seus cidadãos. Muitos dos nossos países estão submersos por um grande fluxo migratório. Causado em parte pelos horrores perpetrados em África e Médio Oriente, este fluxo migratório não deixa de crescer. Quando estes homens e mulheres esperançados alcançam o seu destino, enfrentam não só os seus próprios traumas como também uma burocracia exagerada, tempos de espera e condições inumanas, condições de habitação e saúde péssimas, rejeição por uma parte da população e segundo determinadas informações, a violência do Estado.
Esta tragédia dos refugiados representa em definitivo um desafio para toda a Europa. Cabe perguntar se a herança cristã do nosso continente, a que, de vez em quando, fazem referência personalidades nos âmbitos eclesial, social e político, poderá aceitar estes desafios. Queremos agradecer a quem trabalha permanente e voluntariamente para dar a estes homens e mulheres uma imagem cristã e humana de uma Europa na qual depositaram todas as suas esperanças.
À margem de todas as dificuldades mencionadas, estes homens e mulheres deixados na incerteza têm direito ao bem-estar igual ao nosso. Consideramos este bem-estar como uma conquista. Devem ter direito a uma atenção primária que lhes permita resgatar a sua dignidade e humanidade e tenham a oportunidade de ver o futuro tão incerto, com uma confiança renovada.
Estrasburgo (França), outubro 2015