A LOC/MTC – Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos, promoveu em março três encontros de formação: dia 9 em Famalicão para a zona norte; dia 16 em Coimbra para a zona centro; dia 23 na Amadora para a zona Sul. Com o objetivo de debater alguns dos graves problemas que afetam os trabalhadores, as famílias e a atual organização social, mais especificamente, a necessidade de garantir trabalham para todos como fundamento da dignidade humana bem como aprofundar o processo de iniciação de novos militantes e de expansão da LOC/MTC a partir das Revisões de Vida recentemente efetuadas por muitas equipas de base.
Para nos ajudar a analisar a situação em que vivem milhares de trabalhadores sem trabalho e os desafios e as respostas que temos de encontrar e discernir o caminho que queremos continuar a trilhar, tivemos connosco os economistas Rogério Roque Amaro e Abel Pinto, e o sociólogo Manuel
Carvalho da Silva.
Carvalho da Silva. Da reflexão apresentada pelos referidos oradores, dos debates que se seguiram, da síntese das Revisões de Vida e do trabalho de grupos que sobre elas se efetuou no Encontro, destaca-se o seguinte.
Uma nova economia para promover o trabalho digno
O trabalho está assente na produtividade e competitividade desenfreada, em que a prevalência é a dimensão económica, deixando para trás as questões humanas e tornando o homem escravo da máquina em vez de colocar a máquina ao serviço do homem, muito na base do trabalho assalariado, esquecendo muitas vezes o trabalho digno e a importância do trabalho social, trabalho cooperativo, trabalho doméstico e trabalho comunitário.
O desemprego é um problema grave – em Portugal atinge muitas pessoas, 15,3% taxa em janeiro e sabe-se que há muitos que fogem à estatística, mas mesmo assim esta taxa significa 753.000 pessoas. Destas, 74.000 procuram o 1º emprego e 679.000 procuram novo emprego, 50% delas, há mais de 1 ano. Mais de metade já não recebe qualquer subsídio e não se pode ignorar que a política do Governo tem agravado a situação dos desempregados.
O flagelo do desemprego está intimamente relacionado com a desigualdade de repartição do rendimento gerado pela economia, o enfraquecimento do poder do Estado, o enfraquecimento dos mecanismos de regulação, o modelo de globalização e de governação dominante das empresas e a ”financeirização” da economia. E a sua principal causa reside no facto do foco central das políticas macroeconómicas (produção, emprego, juros e inflação) modernas, darem prioridade ao controlo da inflação, descurando o combate à desigual repartição do rendimento, à acentuação das desigualdades e ao desemprego.
Mas, o desemprego não é um fenómeno natural, é social, que tem de ser resolvido com mudança de objetivos, tendo presente que os desequilíbrios da relação entre o capital e o trabalho são a maior ameaça à paz mundial e à igualdade humana.
No mundo e em Portugal o modelo económico que domina é o capitalismo ou economia de mercado. A existência, com este modelo económico, de tantas crises em Portugal e no mundo, de tantos desempregados, tanta pobreza e tantas necessidades humanas por satisfazer, que em muitos casos atinge mesmo as mais básicas e essenciais à vida humana e que envolve muitos milhões de cidadãos, tem demonstrado, com o decorrer do tempo, como esses pressupostos são falsos.
Sinais e movimentos que transmitem esperança
É indispensável a adoção duma nova política monetária que coloque as Instituições Monetárias ao serviço do pleno emprego. Esta medida implica
um Banco Central Europeu mais responsável e mais representativo e uma reorientação das prioridades da sua ação do controlo da inflação, para o emprego, o crescimento, e a estabilidade financeira. A palavra Desenvolvimento – deve ser tomada no sentido da melhoria das condições sociais dos cidadãos e não do crescimento económico do lado do capital.
um Banco Central Europeu mais responsável e mais representativo e uma reorientação das prioridades da sua ação do controlo da inflação, para o emprego, o crescimento, e a estabilidade financeira. A palavra Desenvolvimento – deve ser tomada no sentido da melhoria das condições sociais dos cidadãos e não do crescimento económico do lado do capital. A partir da crise que se vive na Europa, devemos estar atentos aos sinais e movimentos que despontam em diferentes partes do mundo, de modo a nos recolocarmos e nos recentrarmos nos direitos do trabalho para todos, na revolução silenciosa que vai abrindo caminho a experiências novas, que por sua vez vão abrindo novas portas a um mundo novo com valores e mais respeitadores da dignidade humana.
Dignidade humana que se revela na interligação dos valores da solidariedade contra a competitividade absoluta que vivemos, e nos desafia a encontrar nos espaços de festa, da meditação, e do descanso a felicidade humana.
Nós, os cristãos, temos uma escola de pertença a toda a criação, encontramos na partilha o alimento, e na nossa capacidade crítica razões para questionar o tipo de sociedade que se está a construir e o tipo de dignidade que queremos para o nosso futuro coletivo, neste século XXI.
Dar a conhecer um espaço de Evangelização
Perante todos estes desafios os participantes nestes encontros, a partir do resultado das reflexões das equipas de base procuraram descobrir como fazer chegar o Movimento a outros, apontando dinâmicas e tarefas para promover a iniciação de novos militantes, dentro das características operárias e cristãs do Movimento, com vista à sua expansão, buscando soluções para um Movimento mais forte, com mais capacidade de responder aos desafios dos nossos tempos e aos apelos do Evangelho.
A celebração da Eucarística, vivida em cada um dos encontros, proporcionou um encontro profundo com a nossa fé e o revigoramento para a nossa caminhada de Cristãos comprometidos, na linha da exortação do Papa Francisco, que nos incentiva ao compromisso e solidariedade com os mais fracos e a sermos protagonistas de um tempo novo.