A Equipa Nacional da LOC/MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos, reuniu, em Aveiro, no dia 18 de janeiro de 2014, para fazer o balanço das suas atividades do período anterior e programar as do seguinte.
Fez, também, a avaliação dos tempos em que vivemos e do que isso significa para a vida dos trabalhadores e da população em geral, a partir de um olhar atento de quem vive e sente solidariamente as angústias e as esperanças destes tempos tão difíceis. Como Movimento Cristão de Trabalhadores, sentimos ser necessário denunciar profeticamente as situações de injustiça laboral e social a nível local, nacional e internacional, apoiando as pessoas e levando-as a tomarem consciência das realidades, participando na construção de uma sociedade onde possam viver em dignidade e justiça. Os trabalhadores estão cada vez mais pobres, esmagados e sem condições de vida digna, sujeitos a grande pressão nos seus locais de trabalho pelas condições que lhe são impostas e sentem-se desmotivados, deprimidos e impelidos a aceitar, muitas vezes, situações que vão contra à sua dignidade.
Por não encontrarem trabalho nem condições de poderem viver com dignidade no nosso país, muitos, principalmente os mais novos, estão a recorrer à emigração, procurando noutros países o que não encontram em Portugal.
O apoio ao desemprego, onde se encontra mais de um milhão de trabalhadores,- poucas serão as famílias onde não haja alguém desempregado – tem sido, cada vez mais, reduzido e humilhante, deixando a grande maioria sem condições de vida digna. Os pensionistas, que trabalharam e descontaram toda a sua vida, numa base de confiança de que viriam a ter, na sua velhice, condições de vida digna, estão a ser espoliados de parte das suas pensões, colocando e mantendo muitos abaixo dos níveis de pobreza.
Como podemos constatar na encíclica Caridade na Verdade de Bento XVI, no seu número 25: “a desregulamentação do mundo do trabalho implicou a redução das redes de Segurança Social acarretando grande perigo para os direitos dos trabalhadores, os direitos fundamentais do Homem e a solidariedade realizada pelas formas tradicionais do Estado social”.
As políticas dominantes são impulsionadas pelo mercado financeiro, que dá primazia à iniciativa privada e ao comércio global em detrimento das pessoas.
A recessão económica e o ataque generalizado e rápido ao Estado Social são consequência dessas políticas: “Hoje devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social” (Alegria do Evangelho nº 53- Papa Francisco).
Quem nos governa não pensa a sociedade baseada no ser humano, mas, nas forças que têm poder e interesse, que tiram proveito financeiro das pessoas e das sociedades. Apesar de algumas vozes, mesmo dentro das estruturas que impõem estes processos de austeridade, virem afirmando que o processo tem tido resultados mais gravosos para a economia do que previam. A teimosia e a ideologia persistem, como aconteceu com o Orçamento de Estado para 2014, que trilha os caminhos anteriores, de austeridade e empobrecimento dos portugueses. O ser humano não se realiza sem trabalho digno, não tem independência económica, não contribui para o desenvolvimento social e sente-se excluído por não ter oportunidade de participar na obra do Criador.
O papa Francisco afirma na sua exortação apostólica Alegria do Evangelho nº192 “Não se fala apenas de garantir comida ou um digno sustento para todos, mas prosperidade e civilização nos seus múltiplos aspetos. Isto engloba educação, acesso aos cuidados de saúde e especialmente trabalho, porque no trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida. O salário justo permite o acesso adequado aos outros bens que estão destinados ao uso comum”.
O trabalho digno, justamente remunerado, é pilar fundamental do progresso, centrado no homem e na mulher, que prioriza a justiça social, a distribuição da riqueza e respeita a sustentabilidade dos recursos naturais.
Aveiro, 18 de janeiro de 2014
A Equipa Nacional da LOC/MTC