A Equipa Nacional da LOC/MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos, reuniu, em Aveiro, nos dias 20 e 21 de junho de 2015, para fazer o balanço das suas atividades.
A partir da reflexão feita nos grupos de base e nas equipas diocesanas, com um olhar atento de quem vive e sente as angústias e as esperanças destes tempos tão difíceis fez, também, a avaliação dos tempos em que vivemos e do que isso significa para a vida dos trabalhadores e da população em geral.
Os trabalhadores, com algumas exceções, estão cada vez mais pobres e sem condições de vida digna, sujeitos a grande pressão nos seus locais de trabalho pelas condições que lhe são impostas e sentem-se desmotivados, deprimidos e impelidos a aceitar, muitas vezes, situações que vão contra a sua dignidade. A par do desemprego e da precaridade há também sinais contraditórios de competitividade entre os trabalhadores, de duplo emprego e de economia paralela com tudo o que isso implica de menos empregos e fuga aos impostos. Há ainda as crianças retiradas dos infantários e muitas que vão para a escola com fome, havendo situações em que a refeição na escola é a única que tomam em todo o dia.
Aumentam as doenças do foro psiquiátrico provocadas pela insegurança permanente, pelos medos acumulados, pela incapacidade de cumprir compromissos assumidos, pelo sentimento de inutilidade.
Todos os indicadores falam de aumento da insegurança quanto ao posto de trabalho, insegurança nas ruas, insegurança nos bens e violência doméstica. Não ter uma “ocupação com sentido”, um trabalho digno, é terreno propício para o aparecimento do álcool, prostituição, roubo, violência, desprezo generalizado pela vida, suicídio.
Uma sociedade que produz pobres e depois tenta dar-lhes alguma assistência, mas em dependência continuada. Ao mesmo tempo entrega os recursos naturais e produtivos a privados e a multinacionais que cilindram pequenas e médias empresas, desenvolvem a corrupção, os paraísos fiscais, a especulação financeira, a deslocalização de empresas. Os bens da terra não são propriedade absoluta de ninguém, nem sequer só desta geração, como nos diz o papa Francisco nesta nova Encíclica.
A falta de ética e de moral de quem nos governa, as trapalhadas contínuas, a mentira, as decisões em cima do joelho, os casos frequentes de corrupção de altos funcionários do Estado e de políticos desenvolvem o sentimento popular de descrédito na ação política, nos partidos e, pior ainda, no sistema democrático.
Quando se mata para sempre o emprego de adultos na força da vida e se deixam os jovens, anos a fio, à espera de nada; quando se cortam nas pensões dos reformados e os idosos são reduzidos a sobrantes, a descartáveis, não está na hora de as comunidades cristãs e seus pastores se levantarem e insurgirem publicamente?
Como trabalhadores cristãos vamos realizar um Encontro Nacional, no próximo dia 5 de Julho, em Coimbra, para estimular o nosso compromisso e o de todas as pessoas de boa vontade na dinamização das organizações da sociedade e na democratização das instituições públicas, participando e acompanhando as suas decisões, para alterar este rumo, pois está na hora de mudar e colocar em primeiro lugar as pessoas, o direito e as necessidades dos mais desfavorecidos, numa sociedade justa e sustentável, como nos tem desafiado o papa Francisco.
Nas eleições que se aproximam iremos valorizar medidas concretas que proponham dar prioridade às necessidades sociais em lugar dos interesses dos grupos financeiros e económicos, e subordinem a economia financeira às necessidades da economia real e do bem comum.
Como disse o Papa Bento XVI na sua encíclica – Caridade na Verdade – “O primeiro capital a salvaguardar e valorizar é o Homem, a pessoa na sua integridade”.
Não ficaremos indiferentes e comodamente instalados perante as tribulações e injustiças cometidas contra os mais desfavorecidos da sociedade. Vamos ser cidadãos mais ativos e empenhados na denúncia das causas que provocam uma sociedade tão desigual. Não nos vamos demitir dos nossos deveres cívicos e políticos, e seremos agentes de transformação no implementar de uma nova vivência social, baseada nos valores cristãos. E apelamos a que muitos outros cidadãos, cristãos ou não, se comprometam também nesta transformação.

Acreditamos que outra sociedade é possível.

 

 
Equipa Nacional da LOC/MTC
21 de junho de 2015