O padre Manuel Carlos faleceu de forma repentina, com apenas 54 anos, a 23 de abril, num tempo muito significativo para nós cristãos como é o tempo pascal. Deixa-nos, para memória presente e futura, muitos sinais do Ressuscitado, deste Jesus Cristo a quem se entregou totalmente através do seu sacerdócio que um dia recebeu, primeiro através do sacramento do Batismo, mais tarde pelo sacramento da Ordenação Sacerdotal num serviço incondicional, até à entrega total da sua vida.
Há poucos meses atrás víamos a alegria espelhada no rosto do padre Manuel Carlos pela celebração dos 25 anos da sua ordenação sacerdotal. Uma vida feita de serviço, nestes últimos anos dedicada à JOC e à Zona Pastoral da Baixa/Chiado.
Ao longo deste tempo foi colaborando em várias formações e retiros junto do nosso Movimento. Na Pastoral Operária teve um papel importante na Animação da Fé. Era o coordenador dos Padres em Mundo Operário (PEMO). Outro dos espaços comuns foi o do Compromisso Social Cristão, juntamente com outros Movimentos de Igreja ligados ao social.
Um padre dedicado às periferias e aos pobres, como bem o podem testemunhar aqueles que de mais perto colaboraram com ele. A humildade era sua caraterística, por isso dizia aquando das suas bodas de prata sacerdotais: “uma das certezas que fui assumindo ao longo da minha vida é que sou um «servo inútil» que, com os meus esforços e as minhas capacidades, faço apenas aquilo que é a minha missão, sempre como dom/dádiva e não como conquista minha”.
Era um homem da palavra. Sempre que sentia que devia intervir lá estava ele a tomar a palavra, muitas vezes para colocar outros no centro da conversa. Interpelava e interrogava com frequência. Mas apesar disso não se perdia nos discursos “Aquilo que vos deixo é simplesmente o compromisso de tentar ser testemunho do que é ser padre na vida de cada um de vós, sem grandes discursos mas com a certeza que quero fazer convosco, à maneira de Jesus no caminho de Emaús”.
Encarnava na sua vida a pobreza evangélica. Era um padre despojado, não estava ancorado a coisas supérfluas. Tinha uma dimensão eclesial muito forte, mas procurava viver a comunhão na diversidade.
Queremos endereçar de uma forma especial à sua família, à JOC e à comunidade que servia, o nosso pesar pela partida do nosso querido amigo padre Manuel Carlos. Ele que aceitou o convite de ser discípulo missionário de Jesus Cristo até ao fim, também agora participa da Sua glória.