Set 1, 2006 | Sem categoria
IV Congresso Europeu de Santuários e Peregrinações está a decorrer na Alemanha
O fenómeno das peregrinações é próprio de cada cultura. Em Portugal, um extenso roteiro de igrejas, mosteiros, ermidas e santuários marca o catolicismo desde há séculos.
A Igreja Católica define os Santuários como “Memória, Presença e Profecia do Deus vivo”. Isso dá-nos conta da importância dos mesmos dentro do Cristianismo.
Neste momento, já acontece anualmente o Congresso Europeu de Santuários e Peregrinações, organizado pelo Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, onde se tenta estabelecer uma estratégia comum para receber centenas de milhões de peregrinos que todos os anos visitam os lugares santos da Europa. Em 2004, de 20 a 23 de Setembro, a cidade alemã de Kevelaer acolhe a IV edição do Congresso, sobre o tema: “ Ecumenismo da Santidade: a peregrinação ao inicio do terceiro Milénio”.
Esta iniciativa nasce da compreensão dos santuários e peregrinações no mundo católico, para quem estes não se limitam a ser uma obra humana, mas também um “sinal visível da presença de Deus invisível”. Por esta razão, a Santa Sé tem exigido uma convergência de esforços humanos e uma adequada consciência dos papéis e das responsabilidades por parte dos protagonistas da pastoral dos santuários, “precisamente para favorecer o pleno reconhecimento e o acolhimento fecundo do dom que o Senhor faz ao Seu povo, através de cada santuário”.
Em Portugal encontramos santuários de cariz nacional (como o Santuário de Fátima) ou de cariz regional (Bom Jesus da Vera Cruz, Braga), com concepções arquitectónicas que reflectem o ambiente envolvente: se a norte encontramos santuários de escadório, no centro e sul a solução encontrada serão os santuários de esplanada (como na Nazaré e em Fátima).
João Paulo II, o Papa peregrino, assegura que as peregrinações aos santuários constituem “um momento especial de graça para a própria vida cristã”. Vivida como celebração da própria fé, para o cristão a peregrinação “é uma manifestação cultural a ser realizada com fidelidade à tradição, com sentimento religioso intenso e como actuação da sua existência pascal”, assinalava o Papa por ocasião do Grande Jubileu do ano 200.
A Santa Sé não descura este aspecto e apresenta uma secção dedicada a “Turismo, Peregrinações, Santuários” no Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.
Apesar da sua longa história, é preciso perceber que as peregrinações têm uma nova dimensão numérica: há menos de cem anos, a maioria das pessoas nascia, viva e morria sem sair de uma área geográfica limitada. Hoje em dia, o Turismo Religioso potencia a peregrinação aos Santuários, havendo mesmo tentativas de refinar, em Portugal, a imagem tradicional do garrafão e o piquenique à porta dos locais de culto. Vale a pena referir que, segundo dados da Associação das Catedrais Europeias, cerca de 60% do património europeu visitado pelos turistas é religioso.
As catedrais, os mosteiros, santuários e antigos caminhos de peregrinação continuam a atrair de forma significativa os homens e mulheres do nosso tempo: a peregrinação, com a sua forte componente de viagem, personifica de forma notável a busca espiritual de cada pessoa e não surpreende que a peregrinação esteja presente em todas as religiões.
É através dos campos – “per agros” – que durante séculos as populações se deslocam de casa para exporem a sua fé e para esta ser reconhecida, para festejarem e aplaudirem o seu santo A peregrinação não começa com a partida, mas com os preparativos. Algumas peregrinações com data fixa, coincidentes com uma festa religiosa, começam logo mal se acaba a anterior. Em Portugal, essa realidade é bem visível nos nossos imigrantes, que regressam para festejar determinada festa na sua aldeia natal, ou para peregrinarem a Fátima.
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Fonte: Agência Ecclesia – Internacional | Octávio Carmo| 21/09/2004 |
Set 1, 2006 | Sem categoria
No Dia Mundial do Turismo, que hoje se assinala, importa lembrar quais são as apostas da Igreja Católica em Portugal, de modo a que a Igreja e o mundo do Turismo não andem desencontrados.
Em recente entrevista à Agência ECCLESIA, D. Januário Torgal Ferreira, presidente da Comissão Episcopal de Migrações e Turismo, revelava a intenção de promover uma aposta em pessoal qualificado e de criar um Departamento Nacional para esta área.
“Do meu ponto de vista, é preciso criar coisas novas, no acolhimento a turistas dentro do próprio espaço diocesano. Não se trata de ir lá fora, ver santuários, mas de ter contactos com os turistas que nos visitam, cá dentro. Neste cruzamento de várias linhas é que eu acho que a Igreja se deveria posicionar, mas faltam-nos pessoas para constituir esse departamento”, referiu o prelado.
Ambas as preocupações estão patentes nas respostas ao um Inquérito Nacional sobre a situação da Pastoral do Turismo a que a Comissão Episcopal de Migrações e Turismo decidiu proceder.
A iniciativa, levada a cabo antes do VI Congresso Mundial da Pastoral do Turismo, convocado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, recebeu 10 respostas: Angra do Heroísmo, Braga, Bragança – Miranda, Évora, Guarda, Lamego, Portalegre-Castelo Branco, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu. A maioria são dioceses do interior e das ilhas.
Uma das principais conclusões deste inquérito é a necessidade de elaborar um Plano Pastoral Nacional, pedindo-se para tal “a convocação de um Encontro Nacional para realizar um cuidadoso levantamento das necessidades, dos meios ao dispor e das oportunidades de Evangelização e colaboração com a Sociedade Civil e Empresarial”
As dioceses assumem, ainda, a necessidade de “apostar prioritariamente na Formação de Agentes Pastorais e de Técnicos Operadores Turísticos, cristãos e não só, através de Cursos Práticos oferecidos pela própria Igreja”, tomando como exemplo o Curso pela Internet “Turismo e Património Religioso” da Faculdade de Teologia e Instituto do Ensino e Formação á Distância que é promovido pela Universidade Católica Portuguesa.
Os responsáveis diocesanos reconhecem que há no País um grande espólio de bens culturais e artísticos (ex. Arte Sacra) que são um pólo de atracção, assumindo que a Igreja “é co-responsável por estes tesouros e deve dá-los a conhecer ao público”.
Como projectos de futuro, as respostas destacam a urgência de fornecer informações e produzir partes da Liturgia em diversas línguas, bem como a edição de folhetos sobre a cidade: serviços, igrejas e locais de interesse prático e artístico.
Entre outras soluções estão ainda parcerias com municípios, museus, agências de viagens e a industria hoteleira.
D. Januário Torgal Ferreira lembrava que a experiência do Euro-2004 foi muito importante, como exemplo para o futuro, “porque as dioceses que receberam os adeptos organizaram-se, publicaram desdobráveis em várias línguas, chamaram voluntários para que as igrejas estivessem abertas e os visitantes fossem acolhidos”.
Fonte: Agência Ecclesia – Nacional | Octávio Carmo| 27/09/2004 |
Set 1, 2006 | Sem categoria
1.Escrevo estas linhas antes da decisão nacional do envio de uma força militar portuguesa para o Líbano. Tocam-me ainda aos ouvidos os rumores de vozes, desde há um mês, a par do habitual silêncio, ou, quando muito, de murmúrios sobre a hediondez da destruição e dos assassinatos.
Bem sei que se geraram incómodos quando diante de um texto apresentado, algumas portuguesas e portugueses subscreveram um apelo à paz, a par do repúdio de atitudes, sem esconder juízos explícitos. Num conflito nunca há só um responsável. As culpas distribuem-se por vários campos. Mas importa lembrar que há países e políticas muito mais tidas em causa que as outras. “A guerra dos Estados Unidos da América ao terrorismo não terá sucesso enquanto o conflito israelo – palestiniano continuar sem uma intervenção internacional” foi proclamado em 2002, num dito de senso comum.
Por volta de 20 de Julho último, o Cardeal Renato Martino, Presidente do “Conselho Pontifício Justiça e Paz” apelava “à comunidade internacional e às Nações Unidas, em particular, para que se estabelecesse o diálogo e a paz entre as várias partes em presença e se promovesse o estado de direito na região”. A guerrilha e a destruição abafaram a mensagem do Cardeal Sodano, de 14 de Julho, onde era declarado que “o direito à defesa não dispensa um Estado do dever de respeitar as regras do direito internacional, sobretudo quando se trata da salvaguarda da população civil”. “Quem tem ouvidos, ouça”. E o Papa Bento XVI acentuou, na mesma altura, que “as agressões terroristas” e “as represálias suscitadas” “não têm justificação”. Se houvesse humildade cívica diante de “puxões de orelhas”, acompanhada por um comportamento civilizado, onde as boas maneiras da cultura superam sempre a tentação das armas e dos assassinatos, o Médio Oriente oferecer-nos-ia uma outra esperança. Os interesses materiais, a ambição de um outro desenho de políticas locais (consequência dos primeiros…), o caos do Iraque, a diabolização de potências e países, são um tristíssimo espectáculo. Mas a esperança não pode morrer. Não se resolve a situação sentando no banco dos réus Israel e os Estados Unidos. Também não, colocando no mesmo lugar, o Hezbollah e seus cadernos de encargos.
Quem desejar a democracia, tem de prová-lo pela conduta. “A quem mais foi dado, mais será exigido”.
2. A História não se repete. Oferece, entretanto, acontecimentos parecidos.
Há sete anos atrás, o texto que passo a citar, foi entregue, em mão, ao Senhor Embaixador dos Estados Unidos da América, Mr. Gerald MegoWen. Corria o dia 6 de Setembro de 1999!
Como Vossa Excelência conhece, a situação em Timor-Leste tem vindo a agravar-se continuamente, desde a proclamação pelo Secretário-Geral das Nações Unidas dos resultados do referendo realizado em 30 de Agosto, sob os altos auspícios das Nações Unidas.
A percentagem maciça de votantes (98,6%) e a esmagadora manifestação de vontade contra a autonomia proposta pela Indonésia (78,5%) representam um resultado livre e justo da consulta popular, como tal reconhecido pela comunidade internacional e pelos países signatários do acordo de Nova Iorque de 5 de Maio, Portugal e a Indonésia.
Nos termos desse acordo, cabe à Indonésia assegurar as condições de segurança no período de transição que está em curso. É manifesto aos olhos do mundo que a Indonésia não está a conseguir cumprir esse compromisso. O caos espalhado em Timor-Leste pelas milícias pró – integracionistas está a ser levado a cabo, de acordo com todos os relatos, perante a passividade ou mesmo com a cumplicidade de forças policiais e militares indonésias, em completa e total contradição com o papel que as autoridades indonésias reiteram pertencer-lhes.
Neste momento não há lei nem ordem em Timor-Leste e a situação agrava-se a cada hora que passa. As violações dos direitos humanos sucedem-se em escalada: execuções sumárias, massacres, deportações, agressões a mulheres e crianças, saques e destruição de casas e instalações, ataques a locais pertencentes a organizações internacionais e à Igreja Católica, incluindo a residência do Prémio Nobel da Paz, Bispo Ximenes Belo, encerramento do hospital e ataques à única clínica em funcionamento em Dili. Todos estes actos têm sido perpetrados impunemente e a um ritmo alucinante. Os jornalistas estrangeiros foram forçados a abandonar o território e membros da UNAMET, entre os quais um cidadão norte-americano, foram alvejados. Não há liberdade de expressão nem de circulação no território. Milhares de deslocados procuram refúgio nas montanhas, muitos deles perdendo a vida nessa tentativa.
A comunidade internacional e em especial os países que são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas não podem permitir que esta situação continue. É preciso parar com a matança de inocentes.
O povo de Timor-Leste deu ao mundo uma lição de coragem e apego à Liberdade ao votar em massa no referendo de 30 de Agosto. A comunidade internacional e a missão da UNAMET não permitiram que esse resultado fosse confiscado. É urgente que agora não permitam que a paz, a liberdade e a segurança do povo de Timor-Leste sejam definitivamente confiscadas.
A resistência timorense, presidida por Xanana Gusmão, detido em Jacarta, tem-se comportado com uma dignidade, uma coragem e uma determinação estóicas e exemplares, insistindo na reconciliação entre timorenses e não permitindo qualquer resposta a todas as agressões e atrocidades a que o povo timorense está a ser submetido.
Sabemos que o Presidente Clinton apoia todas as decisões das Nações Unidas que conduzam a uma transição ordeira e honrosa de poderes em Timor-Leste. Sabemos que o Presidente Clinton tem feito apelos para que cesse o derramamento de sangue.
Sabemos que a democracia na Indonésia está directamente ligada ao respeito da democracia em Timor-Leste e aos acordos internacionais.
Face à gravidade da situação, é necessário e urgente que seja reconhecida a incapacidade da Indonésia para assegurar a paz em Timor-Leste. É necessário e urgente que a comunidade internacional assuma as suas responsabilidades. É necessário e urgente que os EUA e os restantes membros do Conselho de Segurança actuem. É necessário e urgente que seja constituída, no âmbito das Nações Unidas uma força internacional de estabelecimento e / ou manutenção da paz, capaz de restabelecer a lei e a ordem no território. O povo de Timor-Leste, com a legitimidade acrescida que resulta da votação democrática de 30 de Agosto, merece a paz e a liberdade.
Em nome da sociedade civil portuguesa, agradecemos que transmita ao Presidente dos EUA a nossa preocupação e pedimos uma decisão urgente a favor do envio de uma força internacional de estabelecimento e/ ou de manutenção da paz para Timor-Leste.
Com os melhores cumprimentos,
Professor Doutor Diogo Freitas do Amaral
Ex – Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas
D. Januário Torgal Ferreira, Bispo
Vigário Geral Castrense
Presidente da Comissão Episcopal das Migrações
Luís Represas
Músico
Dr.ª Luísa Teotónio Pereira
Coordenadora da Plataforma Portuguesa das ONG de Desenvolvimento
Roberto Jerónimo
Associação de Ex – Presos Políticos de Timor – Leste
Lisboa, 1 de Setembro de 2006
D. Januário Torgal Mendes Ferreira, Bispo das Forças Armadas e Forças de Segurança