Set 1, 2006 | Sem categoria
À semelhança do que faz a Galiza com os Caminhos de Santiago, Armindo Costa, Presidente da Câmara de Famalicão, lançou, ontem (27 de Outubro), o desafio de se criar a Rota dos Caminhos Marianos, na cerimónia de abertura das II Jornadas Luso-Galaicas de Turismo Cultural e Religioso que terminam hoje na Casa das Artes de Famalicão.
O presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão fez este desafio à Turel – Cooperativa de Turismo Religioso e Cultural porque considera que “poderemos fazer muito pelo turismo português e europeu se formos capazes de lançar a rota dos Caminhos Marianos, juntando os templos religiosos consagrados a Nossa Senhora, que, para a Igreja Católica, é a padroeira de Portugal” – afirmou.
O autarca lembra que só na região de Entre-Douro-e-Minho, existem os santuários de Nossa Senhora do Sameiro, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Penha e Nossa Senhora do Alívio. Mais a Sul, existem outros templos marianos, dedicados a Nossa Senhora da Saúde, em Vila Nova de Gaia, a Nossa Senhora da Nazaré, a Nossa Senhora da Batalha e, por excelência, o Santuário de Fátima, um espaço religioso conhecido em todo o mundo.
“Não tenho dúvidas de que um produto turístico desta dimensão seria impulsionador da nossa dinâmica colectiva” – sublinhou Armindo Costa, indicando como exemplo os Caminhos de Santiago que são “um bom exemplo de promoção do turismo cultural e religioso da Galiza”.
O autarca desafiou os especialistas a debaterem o assunto durante o dia de hoje e lembrou ser necessário pensar em conjunto e estabelecer parcerias. “Hoje, as empresas fazem fusões estratégicas. Os governos fundem serviços públicos. É também a hora de dar as mãos para desenvolver o nosso turismo, criando produtos atraentes à escala nacional, europeia e mundial” – frisou o presidente da Câmara de Famalicão.
Segundo nota à imprensa, a Turel refere que as jornadas pretendem transformar- se num local de partilha de saberes, experiências e ideias, onde os participantes possam delinear as estratégias de utilização do património cultural e religioso na promoção turística de Portugal e da Galiza. Durante os trabalhos serão analisadas questões relacionadas com o sector do Turismo Cultural e Religioso, sendo possível conhecer alguns casos de estudo, nomeadamente o de Vila Nova de Famalicão, apresentados por oradores especializados.
“A importância de um local religioso não pode ser determinada apenas por um parâmetro de análise. Veja-se o exemplo de Fátima que, em termos religiosos, é o mais importante do País, mas que em termos culturais e arquitectónicos não é comparável ao Bom Jesus ou à Sé Catedral de Braga” – realça o Cón. Melo Peixoto, presidente da TUREL.
Um roteiro das igrejas românicas do Minho, que integre «pérolas» como Fiães, em Melgaço, Rubiães, em Paredes de Coura ou Arnoso Santa Eulália, em Famalicão, é um dos projectos que deve ganhar consistência nestas jornadas.
Santuários mais visitados em Portugal:
Santuário de Fátima
É o sítio católico mais visitado de Portugal, com cerca de seis milhões de peregrinos por ano. É também o lugar sagrado que mais volume de receitas gera, em esmolas, no nosso país.
S. Bento (Gerês)
O santuário de S. Bento da Porta Aberta, no sopé da Serra do Gerês, é o segundo maior local de peregrinação, com 2,5 milhões de pessoas por ano.
Senhora do Sameiro
Todos os anos passam pelo Sameiro, em Braga, mais de dois milhões de peregrinos. É o «Altar de Braga» e o terceiro santuário mais visitado do país.
Bom Jesus (Braga)
Com 1,9 milhões de visitantes todos os anos, beneficia da proximidade do Sameiro, de que está separado por apenas 2 quilómetros.
Alto da Penha
Anualmente, passam 1,8 milhões de fiéis pelo santuário mais importante de Guimarães, dedicado a N.ª S.ª do Carmo.
Fonte: Agência Ecclesia | Nacional | 28/10/2006 |
Set 1, 2006 | Sem categoria
“Se entrarem na lógica meramente formal da arte (arquitecto, datas e estilos), os guias e intérpretes turísticos correm o risco de serem autênticas «cassetes»” –alertou o Pe. António Boto, pároco de Santa Catarina do Monte Sinai e Director do Departamento de Bens Culturais do Patriarcado de Lisboa, no XXV Encontro de Guias-intérpretes, realizado em Fátima.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o Pe. António Boto – proferiu a conferência «Como ler uma catedral» – sublinhou que os guias não devem fazer apenas uma leitura formal do objecto mas também “uma leitura da simbólica cristã”. Nesta acção formativa, concretizada dia 9 de Janeiro e que contou com cerca de 100 participantes, o sacerdote disse-lhes que “a Igreja é a assembleia cristã que ali se reúne e é isso que dá sentido e expressão ao edifício arquitectónico”.
Como se tratava de assinalar uma data importante – a realização das bodas de prata destes encontros – o programa teve uma “forte componente comemorativa, marcada pelo tom de acção de graças” – realça o Pe. Virgílio Antunes, director do Serviço de Peregrinos do Santuário de Fátima.
Na sessão de abertura, Mons. Luciano Guerra, reitor do Santuário, fez um breve relato do que foram estes vinte e cinco anos de encontros e considerou que este trabalho tem dado resposta a um interesse do Santuário, que pretende ajudar os Guias-intérpretes a conduzirem adequadamente os grupos que ali levam em peregrinação mas disse também que responde a um interesse dos Guias que pretendem exercer com profissionalismo e competência a sua actividade.
Fazer uma leitura contemplativa da arte
Na sua exposição, o director do Departamento dos Bens Culturais do Patriarcado de Lisboa frisou aos participantes que a arquitectura na história da arte “muda tanto e tem tantas transformações que é preciso conhecê-las”. E acrescenta: “é necessário conhecer o ritmo que a igreja nos oferece”. Depois de explicar que a porta da Igreja transporta-nos “para outra realidade e retira-nos do mundo profano”, o Pe. António Boto realça que os aspectos geométricos estão relacionados com “a dimensão terra/céu e céu/terra” e o altar “é o ponto de convergência de toda a Igreja”.
Na caminhada peregrina – esclareceu o pároco de Santa catarina – é necessário dar espaço à contemplação e “saber fazer leitura contemplativa da arte”.
Mons. Luciano Guerra pediu também ao grupo que continuasse a progredir como corpo de Guias, admitindo mesmo a hipótese de se fazer evoluir para uma associação, que tivesse como objectivo o encontro das pessoas e a progressão na linha da competência relativamente à condução dos grupos que solicitam o turismo religioso ou a peregrinação.
Viagem comemorativa
Integrada também nas comemorações das bodas de prata destes encontros foi marcada uma viagem comemorativa – de 4 a 7 de Fevereiro – para os Guias-intérpretes.
Fonte: Agência Ecclesia – Nacional | Luís Filipe Santos| 11/01/2006 |
Set 1, 2006 | Sem categoria
A Turel/TCR, cooperativa de desenvolvimento e promoção do Turismo cultural e religioso, está a preparar um guião turístico sobre o Santuário de Nossa Senhora de Porto de Ave, situado na paróquia de São Miguel de Taíde, Póvoa de Lanhoso.
O livro será apresentado por ocasião da romaria, que se realiza nos dias 3 e 4 de Setembro, primeiro fim de semana do mês. O anúncio foi feito ontem, durante a apresentação aos jornalistas do guião turístico sobre o Santuário de São Bento da Porta Aberta, que, a partir de amanhã, promove a tradicional romaria.
Este acontecimento e outros assuntos — “A Irmandade de São Bento da Porta Aberta”, “São Bento”, “O Santuário”, “Infra-estruturas”, “Peregrinações”, “Festas e Romarias”, “Gastronomia”, “Alojamento”, “Artesanato e Tradições”, “Natureza”, “Contactos úteis” e “Como chegar” — podem ser consultados num livro, que possui um formato prático e atraente.
«A partir dos contactos mantidos com a Turel, as confrarias começaram a demonstrar grande interesse em trabalhar connosco, porque só vêm vantagens nisso. A Cooperativa não tem dinheiro para dar, mas colabora na divulgação dos santuários, contactando diversas entidades, que colaboram na realização dos guiões», referiu o presidente executivo da Cooperativa, cónego Eduardo Melo, enaltecendo o trabalho das confrarias, não só aquelas cujos locais de culto já pontificam na Colecção “Guiões Turísticos dos Santuários”, mas também as que já demonstraram interesse em participar no projecto.
Nesse sentido, o responsável informou que a Turel já está a negociar com 15 câmaras municipais, 22 instituições religiosas e 17 entidades privadas a promoção e divulgação dos respectivos “produtos” culturais e património religioso.
Galegos partilham experiência
As Jornadas Luso-Galaicas de Turismo Cultural e Religioso, que se realizam nos dias 28 e 29 de Outubro, em Braga, vão contar com um número elevado de especialistas da Galiza, que partilharão a sua vasta experiência.
Pretende-se «aproximar os guias profissionais da Galiza e de Portugal no conhecimento mútuo dos produtos de turismo cultural e religioso dos dois países e preparar o ano turístico de 2006, envolvendo estes guias na sua preparação», destacou o Presidente Executivo da Turel, que acrescentou que os profissionais da área do Turismo, docentes e investigadores universitários, estudantes do sector, empresários operadores turísticos e associações culturais e religiosas terão, assim, a oportunidade de debaterem o futuro desta área.
“O Turismo cultural e religioso como motor de desenvolvimento do Turismo nacional”; e os painéis “Produtos de Turismo cultural e religioso” e “Interpretação do património cultural e religioso”, nos quais serão apresentados os casos de Fátima, Santiago de Compostela e da Sé Catedral de Braga, são as temáticas que ajudarão o debate.
«Gostaríamos que as Jornadas fossem um sucesso, porque são as primeiras que se realizam no país e tentam responder a uma necessidade sentida por parte de todos os operadores de turismo», referiu o responsável.
O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, o Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, a Presidente da Direcção Geral de Turismo, Ana Cristina Siza Vieira, e a Vice-presidente da Associação Profissional dos Guias Turísticos da Galiza, Maria Balo, são algumas das personalidades que devem marcar presença nas Jornadas.
Fonte: Diário do Minho| 09/08/2005 | Nacional – 10:48
Set 1, 2006 | Sem categoria
Num momento em que está cada vez mais saturado o mercado do chamado turismo “sol e praia” parece existir um interesse renovado pelas práticas turísticas que atendem à marca do religioso, envolvendo o conhecimento do património construído, das culturas locais e regionais, com as suas festas e romarias tão típicas do Verão.
A religiosidade popular (conjunto de práticas simbólicas de raiz popular) é um facto que acompanha a vida da Igreja Católica (aqui escolhida na sua qualidade de religião mais representativa no nosso país) e que a acompanhou durante todos os séculos. Trata-se de expressões, gestos, atitudes, que expressam uma relação pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrinação, ajoelha-se diante do túmulo de um mártir ou um santo, conservam-se restos do seu corpo ou dos seus vestidos. No caso português é esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na vivência do sagrado.
Habitualmente a religiosidade popular afirma-se em contraposição à oficial, sendo entendida por muitos como uma forma híbrida, isto é formas inadequadas de entender e praticar a religião oficial. Em Portugal, por exemplo, as crenças populares incluem, ainda hoje, um conjunto de crenças e gestos mágicos oriundos do paganismo celta.
É difícil precisar onde foram os portugueses encontrar este “imaginário”, este “fantástico”, este culto do sagrado, com uma estruturação rigorosa de espaço e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. É neste contexto de assimilação das crenças e antigos ritos pagãos, que se perpetuaram ao longo dos séculos na tradição oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e crenças que definem a religiosidade popular.
As festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular no nosso país. Nas festividades populares, com ou sem relação com o ritual oficial e, muitas vezes, com origem em cultos naturalísticos, é possível encontrar manifestações particulares, por vezes, com carácter mágico.
A atenção especial aos sinais da natureza como a água, a terra, a luz, o céu fascinou desde sempre as pessoas. A religiosidade popular, cósmica e natural, pode servir, no caso da Igreja Católica, para compreender melhor a utilização de sinais e gestos simbólicos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre chamada a atenção para uma verdadeira integração entre a liturgia e a piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros séculos, com algumas celebrações, e na liturgia romana da Idade Média, com as procissões, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto.
O catolicismo, assumindo uma dimensão universal (católica), não pretende ser uma religião de elites. A sua história faz-se dentro dos povos, com os seus membros diversificados, a sua tradição e cultura, a sua história e os seus projectos.
Os sectores do turismo e do Património devem entender que, no campo religioso, todas estas dimensões estão presentes e devem ser descodificadas e valorizadas. Só respeitando e dialogando se pode ajudar a crescer.
O povo português tem uma longa ligação à tradição, sobretudo os meios mais populares e aldeãos, com a permanência e a sobrevivência de aspectos da religiosidade popular. Em muitas festas e celebrações, contudo, o aspecto folclórico tende a sobrepor-se a este fundo de significações e memórias: a dimensão religiosa está mais colocada ao lado, mas é importante que continue, é necessário garantir o aspecto religioso na festividade, como uma manifestação de júbilo da comunidade.
Num período de globalização, em que tudo parecer ser igual e em que há tendências para uniformizar a cultura, há uma forte necessidade das comunidades se identificarem. E essa identificação faz-se, precisamente, através da revivescência das suas tradições, fundamentalmente ligadas ao religioso, que nenhum responsável pela área do Turismo ou do Património deve ignorar.
Fonte: Agência Ecclesia – Nacional | Octávio Carmo| 29/07/2005 |
Set 1, 2006 | Sem categoria
Bento XVI defendeu hoje que o sonho de um turismo “sem fronteiras” deve ajudar a criar “um futuro melhor para a humanidade”, sublinhando as exigências éticas que devem estar por detrás desta actividade.
“É importante que todos os que têm responsabilidade neste âmbito (o turismo) – políticos e legisladores, homens de governo e do mundo financeiro – se empenhem em favorecer o encontro pacífico entre as populações, garantindo segurança e facilidade de comunicação”, pode ler-se na Mensagem para o Dia Mundial do Turismo, que se celebrará a 27 de Setembro de 2005.
O texto acrescenta que “os promotores, organizadores e trabalhadores do sector turístico são chamados a construir estruturas que o tornem sadio, popular e economicamente sustentável”, tendo claro que o primeiro fim de qualquer actividade, incluindo a turística, “é o respeito pela pessoa humana, no contexto da busca do bem comum”.
A carta foi enviada em nome do Papa pelo Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, sendo endereçada ao Cardeal Stephen Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. O Dia Mundial do Turismo terá como tema, em 2005, “ “Viagens e transportes: o mundo imaginário de Júlio Verne à realidade do século XXI”.
Bento XVI destaca esta escolha da Organização Mundial do Turismo, referindo que “ainda hoje há obstáculos a superar para que a oferta turística, fruto das viagens e dos transportes, seja alargada a todos”.
“Novas e inéditas possibilidades de viagens, com meios de transportes cada vez mais modernos e velozes, podem fazer do turismo uma providencial ocasião para partilhar os bens da terra e da cultura”, acrescenta a missiva.
Para o Papa, quem viaja em turismo “deve ser movido pelo desejo de encontrar os outros, respeitando-os na sua diversidade pessoal, cultural e religiosa”. A mensagem apela “ao diálogo e à compreensão” entre as pessoas, pedindo que os seus comportamentos promovam “respeito, solidariedade e paz”.
Neste sentido, Bento XVI desafia as comunidades cristãs a acolher os turistas “oferecendo-lhes a possibilidade de descobrir a riqueza de Cristo”, seja no património religioso, seja “na vida quotidiana de uma Igreja viva”.
As questões de ética têm merecido atenção especial por parte do Vaticano. No último Congresso Mundial sobre a Pastoral do Turismo, organizado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, os participantes manifestaram o desejo de que “os Governos procedam a dar mais ajuda no que concerne à formação moral e humana das pessoas empenhadas no turismo, tendo também em conta as necessidades pastorais”. Um dos instrumentos apresentados para este fim foi o Código Ético Mundial para o Turismo, que a Organização Mundial do Turismo (OMT) provou e que já inspirou a legislação de alguns países.
O Código destaca a contribuição do turismo para o entendimento e o respeito mútuo entre as pessoas e as sociedades. Actividade associada ao descanso, à diversão, à cultura e à natureza, o turismo “deve conceber-se e praticar-se como um meio privilegiado para o desenvolvimento individual e colectivo”, sublinha o documento. Por último, ainda sobre a aplicação dos princípios enunciados no Código, apresenta-se a proposta de um “Comité Mundial de Ética do Turismo”.
Fonte: Agência Ecclesia – Internacional | Octávio Carmo| 20/07/2005 |