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Ser Família em Terra Estrangeira

O VII encontro de animadores sócio-pastorais das migrações vai ser consagrado ao tema “Ser Família em Terra Estrangeira”.
A iniciativa, uma parceria da OCPM com a Caritas Portuguesa e Agência Ecclesia, vai realizar-se em Fátima, nos dias 12, 13 e 14 de Janeiro de 2007.
Os agentes sociais e pastorais que intervêm, em nome da Igreja, junto do complexo mundo das migrações pretendem, com este encontro, promover o acolhimento eclesial à família e defender o direito ao reagrupamento familiar.
O Encontro pretende ser um momento de avaliação da acção realizada e de formação permanente para técnicos e voluntários dos Secretariados Diocesanos da Pastoral das Migrações, Caritas Diocesanas, Capelanias de Imigrantes, Movimentos, Secretariados Diocesanos das Comunicações Sociais, Congregações e Associações cristãs implicadas na imigração em Portugal.
O Encontro contará com as participações de D. António Vitalino, da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), Dr. Rui Marques, Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), Dr. José Vilaça, do Fórum de Organização Católicas para a Imigração (FORCIM), Dra. Margarida Neto (OH) e Comissão Episcopal do Laicado e Família.
Com este Encontro Nacional – uma aposta na formação específica de agentes pastorais – a Igreja pretende assinalar o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, a acontecer no domingo 14 de Janeiro de 2007.
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Mais informações em www.ecclesia.pt/ocpm

Anuário 2006

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ANUÁRIO DA PASTORAL DE MIGRAÇÕES – 2006
ANUÁRIO PARA O PÚBLICO
APRESENTAÇÃO
O Anuário Católico de Migrações e Instituições conexas é um instrumento de trabalho que nos tem sido solicitado por numerosas pessoas, comunidades e Entidades públicas e privadas.
A nossa intenção de todos os anos proporcionarmos aos interessados uma nova edição desta informação, de modo a mantê-la actualizada o mais possível (condição indispensável para a sua utilidade), tem encontrado dificuldades de vária ordem por não termos meios de obter a informação necessária e poder proceder à imediata correcção dos dados que o compõem.
Para interesse de todos é importante a colaboração do maior número possível das pessoas e comunidades que se referem a este Anuário da Pastoral da Mobilidade Humana.
O nosso apelo é, portanto, claro: qualquer indicação de mudança é benvinda! Será, logo que possível, introduzida na edição “on line” (www.ecclesia.pt/ocpm) que é actualizada trimestralmente.
Essas alterações serão anotadas para, na edição impressa seguinte, serem devidamente referidas. Para qualquer envio de informação eis o nosso endereço de correio electrónico: ocpm@ecclesia.pt
Pensamos também que a apresentação desta informação deverá ser o mais clara possível. As sugestões que nos sejam recomendadas serão atendidas o melhor possível no enquadramento geral do Anuário. A todos quantos habitualmente ou ocasionalmente já tenham prestado esse serviço muito agradecemos em nome de todos os utilizadores.
A consulta da edição “on line” requer uma senha de acesso que deve ser solicitada directamente à OCPM explicitando os motivos pelos quais se pretende a informação. Fomos forçados a tomar esta medida de protecção dos dados para salvaguardar os nossos missionários e colaboradores religiosos e leigos de correspondencia e publicidade indesejadas.
Lisboa, 01 de Julho de 2006
Pe. Rui Manuel da Silva Pedro, cs
Director Nacional

Comunidades Portuguesas com coordenador pastoral

O Cardeal Carlos Lehmann, da Conferência Episcopal Alemã, informou a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana de Portugal, de que o Pe. Manuel Gonçalves Janeiro, foi confirmado coordenador das Missões Católicas de Língua Portuguesa (MCLP) da Alemanha, com mandato até 2011. Esta nomeação acontece após consulta aos missionários dos portugueses e às estruturas da Igreja em Portugal.
O Pe. Manuel Janeiro, formado em Teologia e Sociologia, pertence à diocese de Leiria-Fátima, é missionário dos emigrantes portugueses há mais de 20 anos e reside na Comunidade Católica Portuguesa de Singen. È director do Jornal “Diálogo Europeu” – Voz das Comunidades Portuguesas.
Actualmente as Comunidades Portuguesas neste país – em acelerada fase de grande reestruturação eclesial e económica das suas dioceses, paróquias e capelanias – que congregam os católicos portugueses e da lusofonia, com seus descendentes, podem contar com: 22 sacerdotes (13 portugueses), 1 diácono permanente, 6 religiosas (4 portuguesas) e 10 assistentes pastorais leigos.
Para os perto de 133.000 cidadãos portugueses residentes na Alemanha, a Igreja Católica – fruto da cooperação bilateral entre Portugal e Alemanha – dispõe de 35 lugares de culto com serviço linguístico em português.
Manuel da Silva

Diálogo com países africanos é solução para desafios das migrações

As soluções para as questões migratórias têm de passar necessariamente pelo diálogo com os países de transição. Este foi um dos caminhos apontados como possíveis para atenuar a realidade migratória nos países mediterrâneos, durante os trabalhos desta manhã na Conferência Internacional da Metropolis.
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Perante uma plateia atenta, Joaquín Arango, da Universidade Complutense, em Espanha, dá conta daquela que considera ser a posição dominante na Europa – “Dá-me os mais inteligentes e eu fecho as portas aos outros” -, dizendo que, de uma maneira geral, “o ambiente político face à imigração não é favorável”.
Este especialista assinalou uma alteração nos fluxos migratórios, havendo os designados países de transição que funcionam como pontos de passagem, caso dos países africanos do Mediterrâneo, para outros territórios. “É com estes países de transição que a cooperação deve ser feita”, defende.
Joaquim Arango refere que “a Espanha e a Itália são os países com maior força política para por estas questões em cima da mesa”, mas uma realidade de imigração restritiva, com base em critérios de mão de obra qualificada em detrimento da mão de obra desqualificada, não deixa avançar. Refere ainda que “as migrações podem ser benéficas para ambos os lados, mas é preciso remover obstáculos políticos e culturais”, chamando a atenção para o facto de “o número de empregos ter de duplicar para dar resposta às necessidades que surgem. Estão em causa as reformas e a sustentabilidade”.
História a respeitar
Os fluxos migratórios sempre existiram. A Europa recebe imigrantes africanos há muito tempo e com eles construiu a sua história, é a crença Khadija Elmadmad, advogada na Associação Rabat, em Marrocos e conferencista convidada. “A Europa vira as costas à sua história. O que aconteceria se se devolvessem todos os imigrantes ou pessoas com raízes noutros países?”, disse, apontando o exemplo dos EUA, construida a partir da imigração. “Há um clima de desconfiança generalizada, que o 11 de Setembro ajudou a criar”, refere.
“As imagens que a comunicação social veicula dos imigrantes a chegar às costas europeias dá a ideia de ataque a uma fortaleza”, aponta Ali Bensaad, da Universidade da Provença, em França.
Existe uma confusão existente entre “imigrante ilegal, que se movimenta sem autorização e sem papéis, e imigrante forçado (refugiado), que pede auxílio e que beneficia do direito internacional”, aponta a conferencista Khadija Elmadmad, falando no risco de “expulsarmos pessoas que gozam do direito de estar na Europa”.
Sandra Pratt, Comissária Europeia, indicou a importância das migrações face às alterações demográficas e ao envelhecimento da população, acrescentando que as migrações estão “na agenda política da Comissão Europeia. Os líderes da CE admitem que a imigração não é um problema, mas antes uma necessidade”.
Esta questão faz parte do diálogo com os países africanos e afirma que “o caminho deve ser o diálogo, a partilha de problemas e responsabilidades”, procurando políticas de parceria e de equilíbrios.
As questões das Migrações juntam, ao longo desta semana, especialistas de todo o mundo na conferência Internacional da Metropolis, em Lisboa, onde opiniões diversas com base em estudos, investigações e também acções no terreno de diversas organizações se fundem na convergência de que as migrações são importantes e ajudam ao desenvolvimento.
In AGÊNCIA ECCLESIA – Nacional | Lígia Silveira| 04/10/2006 | 16:41

Portugal é exemplo de integração do fenómeno migratório

Portugal é um país de sucesso em casos de integração e tem uma grande capacidade de gestão do fenómeno migratório, apesar de ainda “não saber trabalhar bem com as suas associações de imigrantes”. Estas são as convicções de Roberto Carneiro, Coordenador do Observatório para a Imigração.
Sendo um país de acolhimento, “temos uma tradição de muitos anos a receber imigrantes principalmente de países lusófonos”. Fazendo parte da orla do Mediterrâneo, o nosso país “não é destino de eleição” aponta Roberto Carneiro, quando comparado com Espanha, França ou Itália com índices maiores de imigrantes e “onde tem havido questões difíceis na integração dos fluxos de imigrantes“ dando conta também das situações com os imigrantes vindos das Canárias com destino a Espanha. É uma situação que não nos afecta directamente, “mas como europeus devemos estar preocupados”, lamentando não haver ainda uma política comum de imigração. Portugal apresenta uma coexistência pacífica social e religiosa, o que “também nos deixa à vontade quanto à capacidade portuguesa para fazer a integração desses fluxos migratórios”.
“Portugal, pode antes ser um país de trânsito” dada a sua posição geográfica, em especial a Ilha da Madeira e o Algarve. Sendo um fenómeno dramático e que levanta questões éticas, Roberto Carneiro afirma que há algum desconhecimento, uma vez que os números deste fenómeno apontam para “cerca de 25 mil pessoas, que é significativo, mas à Europa continua a chegar milhão e meio de pessoas por ano”, o que acaba por conferir à realidade espanhola uma dimensão localizada.
A Lei portuguesa da imigração, “sendo uma das mais avançadas nesta matéria”, a regulação da imigração e o trabalho do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas são exemplos, apontados por Roberto Carneiro, de sucesso na integração portuguesa dos imigrantes. O Coordenador do Observatório para a Imigração aponta que é necessário “combater as imagens que a comunicação social dá dos imigrantes, muitas vezes marginalizada”, para que a população esclarecida perceba a realidade dos imigrantes no país. As notícias veiculadas devem “ser justas e equilibradas”, pois os imigrantes “são importantes quer para o nosso país, quer para a Europa”.
A presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007 pode colocar Portugal como parceiro na ajuda, uma vez que “somos exemplo em integração” ressalta Roberto Carneiro, “temos uma vocação de diálogo” com os países africanos, na America Latina e com os países orientais “e podemos liderar este diálogo no sentido de a Europa ser parceira de desenvolvimento destes paises mais pobres”. Roberto Carneiro acredita que “avançamos com provas dadas e conhecimento acumulado nesta matéria” refere.
Este responsável aponta as Associações de Imigrantes como o local indicado para acompanhar e representar os cidadãos quanto aos seus direitos. “O país precisa de aprender a trabalhar com as associações” porque são elas que melhor conhecem as situações porque passam os imigrantes, assim como acompanhar de perto “a forma como na realidade as políticas têm impacto e melhoram ou não a vida dos imigrantes” conclui.
In Agência Ecclesia | Lígia Silveira| 04/10/2006 | 17:36 |