"Antes mesmo do direito de emigrar, é necessário reafirmar o direito a não emigrar, isto é, o de ficar na sua própria terra", sublinhou Bento XVI na mensagem para preparar a Jornada dos migrantes e refugiados, que será celebrada em janeiro. O Papa recordou que "o direito da pessoa a emigrar está inscrito nos direitos humanos fundamentais" mas sublinhou a importância de ter "sob controlo os fatores que empurram para a emigração". Em vez de uma "peregrinação animada pela confiança, pela fé e pela esperança", "numerosas migrações são consequência da precariedade económica, da falta de bens essenciais, de catástrofes naturais, de guerras e de desordens sociais". "Migrar torna-se então um calvário para sobreviver, onde homens e mulheres aparecem mais como vítimas do que como atores e responsáveis da sua aventura migratória", observa o Papa. O Papa denuncia ainda as consequências de tais situações para alguns, afirmando que "muitos vivem condições de marginalização e, talvez, de exploração e de privação dos seus direitos humanos fundamentais, ou ainda adotam comportamentos prejudiciais para a sociedade no seio da qual vivem". Das suas deslocações, do Líbano ao México e a África, o Papa recorda a questão da emigração, considerando que destrói as famílias e enfraquece o tecido social. Foi assim que Bento XVI lançou em meados de setembro no Líbano um apelo aos cristãos do Médio Oriente para permanecerem, apesar dos conflitos e das dificuldades económicas.
Lusa