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Foi na doca Pier 21 em Halifax, no dia 13 de maio de 1953, que o «Saturnia» atracou, desembarcando os primeiros 218 imigrantes portugueses, com os respetivos vistos de trabalho, muitos deles provenientes dos Açores, madeirenses e alguns do continente. “(Os portugueses) … …Foram ficando em várias regiões do Canadá, para trabalhar principalmente em áreas como a agricultura e construção de caminhos de ferro”, disse à Lusa Joe Estáquio, presidente da ACAPO, entidade que reúne 43 associações portuguesas da província do Ontário, promotora das comemorações. A programação começa a 11 de maio, com uma Gala de homenagem aos pioneiros da emigração portuguesa para o país, em que já estão confirmadas as presenças do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, do ministro das Finanças do Ontário, o luso-canadiano Charles Sousa, entre outras entidades oficiais que vão estar representadas. No dia 12 de maio, decorrerá uma homenagem no «Monumento aos Pioneiros» no High Park, inaugurado em 1978, quando se comemoraram 25 anos da emigração portuguesa), e ainda nesse dia, haverá uma missa em honra dos emigrantes pioneiros, na Igreja de Santa Maria, a primeira portuguesa no Canadá. Em colaboração com o Consulado Geral de Portugal em Toronto, está também programada uma exposição de fotografias, que vai ser inaugurada a 13 de maio, na Câmara Municipal de Toronto, e estará patente durante um mês. As comemorações prolongam-se até julho e englobam as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a 10 de junho. Apesar de a emigração ter começado há 60 anos, há registos que provam que os portugueses já passaram pelo Canadá há mais de 500 anos, e a prová-lo está o monumento em St. John’s, na Terra Nova, que homenageia os pescadores de bacalhau que por ali estiveram há meio século. O monumento foi inaugurado em 2001 pelo Presidente da República na altura, Jorge Sampaio. António Sousa trocou “a caneta” por “uma pá e picareta” António Sousa foi um dos “pioneiros” portugueses no Canadá. Sessenta anos depois de ter chegado ao país confessa que o que mais lhe custou foi ter de deixar “a caneta” para pegar “na pá e na picareta”. “Após 40 anos de ditadura de Salazar, ainda fui acusado de ser comunista por isso decidi aventurar-me”, começou por explicar à agência Lusa o empresário de 87 anos. Viajou no navio Saturnia, que chegou ao porto de Halifax a 13 de maio de 1953 e era um dos 218 emigrantes, com os respetivos vistos autorizados por ambos os governos. António Sousa deixava para trás a Nazaré natal e a vida de estudante para “meter mãos à obra”. Daí a metáfora de que trocou “a caneta e o lápis” em Portugal por “uma pá e picareta” no Canadá. Estudante do curso comercial da Escola Bordal Pinheiro das Caldas da Raínha, recorda que não foi difícil arranjar trabalho. Após ter feito o pedido de visto, com a ajuda de um amigo em Montreal, um dia após chegar ao continente americano, arranjou trabalho na província do Labrador, como “ajudante de cozinha”. Com o lema “se tens doze, não gastes dez”, nove meses depois chegou à conclusão que Toronto, a atual “capital” económica canadiana, seria o “local ideal” para se implantar. “Quando cheguei a Toronto, tinha dinheiro suficiente para comprar uma casa, mas só me vendiam se comprasse três, o que teve de ser”, recorda. Em Toronto, abriu o primeiro restaurante português, começou a importar produtos de Portugal e da Europa, fundou a primeira coletividade portuguesa, o «First Portuguese», e também criou o Rancho Folclórico da Nazaré, em 1956. “A educação é a nossa arma”, foi a mensagem que quis transmitir aos seus filhos, Júlio e Charles, que optaram por áreas diferentes em termos profissionais, o primeiro, pela educação, é professor, o segundo, pela economia, é hoje ministro das Finanças do governo do Ontário. “Eles são ótimos trabalhadores e estudantes, pois ensinei-lhes que quando se trabalha com dedicação, com o coração, com força, nunca se perde”, explicou, acrescentando que “quando não se faz algo bem, aprende-se, para que, na próxima vez, se faça de maneira diferente”. «Quem respeita é respeitado», e «nunca semeies cardos à espera de colher rosas», são filosofias de vida que diz ter passado para os seus filhos. O seu pensamento no “amanhã” está sempre presente. Com seis netos, o “pioneiro” decidiu abrir uma conta bancária para que eles possam frequentar a universidade com tranquilidade, tendo o futuro garantido. António Sousa diz que aquela geração que chegou à América em 1953 “contribuiu para o desenvolvimento da imigração dos portugueses no Canadá”. “Somos iguais a todas as outras comunidades, mas individualmente somos diferentes” considera. Na altura, os portugueses “eram muitos respeitados, quer pelas entidades oficiais, quer, por exemplo, próprios bancos”. Hoje, diz, os portugueses continuam por isso a ser respeitados, mas há exceções. Porque “nem todos são iguais”, conclui.

 

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