Cidade do Vaticano, 09 out (RV) – Suscitou comentários em todo o mundo, a mensagem de Bento XVI para o próximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, apresentada nesta quarta-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé.
O papa faz votos de que essa celebração _ prevista para o dia 18 de janeiro de 2009 _ com o tema “São Paulo migrante, ‘apóstolo dos gentios'” _ “seja para todos, um estímulo a viver na plenitude do amor fraterno, sem distinções de nenhuma espécie e sem discriminações, na convicção de que é nosso “próximo” quem quer que esteja perto de nós e que nós podemos ajudar”.
Eis o que nos disse acerca da relação entre Igreja e migrações, o presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Cardeal Renato Raffaele Martino…
Cardeal Martino:- “A Igreja é feita de migrantes. E isso nós o vemos em todo o mundo e em todas as épocas. Agora, existem as fronteiras que, obviamente, colocam obstáculos à contínua migração que existia antes. A Igreja sempre levou esse fenômeno em consideração, a começar de São Paulo migrante. Nos tempos modernos, devemos dizer, porém, que foi Pio XII quem chamou a atenção sobre o fenômeno dos migrantes, com o famoso documento Exsul Familia, de 1º de agosto de 1952.”
P. Eminência, na mensagem, o papa reafirma que o universo dos migrantes compreende os estudantes fora de sede, os imigrantes, refugiados, os deslocados, desalojados e as vítimas das modernas formas de escravidão, e o papa convida todos a considerarem as próprias diversidades culturais…
Cardeal Martino:- “Naturalmente, quem chega a outro país, encontra as dificuldades da língua, do trabalho, e da inserção, e isso porque quem chega tem uma cultura, uma tradição e, talvez, também uma religião diversa daquela que se professa no lugar aonde chega. Todos esses fatores devem, portanto, ser considerados pelo país de acolhimento. Por isso a Igreja oferece acolhimento de maneira atenta e generosa.”
P. Na mensagem, se sublinha ainda que o acolhimento deve ser recíproco…
Cardeal Martino:- “Certamente, porque esse é um problema de reciprocidade: eu acolho você, e você deve acolher a cultura que encontra no país aonde chega, e não buscar criar “guetos”. Isso acontece, ao invés, em várias cidades da Europa. Naturalmente, esta deve ser, porém, uma questão de educação e de formação daqueles que chegam.”
P. Essa missão da Igreja hoje enfrenta dificuldades que dependem dos Estados ou de certa rigidez que se tem manifestado ao longo dos tempos, até mesmo do ponto de vista das leis…
Cardeal Martino:- “Naturalmente, um Estado, para ter segurança, deve controlar os clandestinos, mas observando também a situação da Europa, porque para que esses países consigam manter seu nível de desenvolvimento e de riqueza, eles necessitam de mão-de-obra, e essa mão-de-obra chega, mas devidamente regulada. É preciso, todavia, levar em consideração que atrás dessa “mão-de-obra” existe um ser humano, uma pessoa com suas tradições, sua cultura e sua religião diversa, sem contar que essa pessoa tem também uma família. Tudo isso deve ser levado em consideração.” (AF)
Rádio Vaticano, 09/10/2008