“Viver o Amor Fraterno sem Distinções nem Discriminações”
O apelo à fraternidade e à não discriminação, lançado pelo Papa Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado deste ano de 2009, foi acolhido como lema da 37ª Semana Nacional das Migrações. Em comunhão com as preocupações do Santo Padre, neste mundo violento que, cada vez mais, marginaliza a pessoa humana, queremos colocar os migrantes que vivem excluídos e discriminados como centro da nossa semana de reflexão e oração.
O contexto de crise económica global, produzida pela especulação financeira desordenada e pelo sistema neoliberal que tem esvaziado o mundo ocidental dos valores fundamentais do humanismo cristão, que transforma o homem em peça descartável duma engrenagem de produção e consumo, promove a injustiça e assimetria social assim como a discriminação e a exclusão.
A comunicação globalizada, da notícia em directo, que explora os acontecimentos de forma sensacionalista, com o único objectivo de aumentar audiências, contribui negativamente para a criação de estereótipos generalistas dos migrantes, que muitas vezes são discriminados e marginalizados só pelo facto de pertencerem a determinada etnia, terem determinada cor de pele ou serem oriundos de determinado país. Esta inconsciência de alguns meios de comunicação social tem contribuído para o surgimento de discriminações, racismos e xenofobias que em nada dignificam a pessoa humana e envergonham a cultura da tolerância que Portugal levou às cinco partidas do mundo.
O mundo de hoje tem necessidade de recriar uma nova ética de valores, uma ética que coloque o ser humano no lugar central que lhe pertence; uma ética da fraternidade e da solidariedade que respeite e acolha todos sem distinção nem discriminação que desumaniza e humilha.
A verdadeira fisionomia da Igreja, que é universal, encontra-se na dimensão da fraternidade cósmica onde, independentemente da cor da pele, da cultura ou da proveniência todos são acolhidos porque filhos do mesmo Pai e redimidos por Cristo, por isso, todo o cristão é chamado a ser promotor da fraternidade e do acolhimento, lutando e denunciado tudo o que seja distinção, discriminação, exclusão ou marginalização, sem perder do horizonte a palavra de Jesus: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40), nem as palavras do apóstolo Paulo: “Já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef. 2, 19).
Programa:
Dia 12 de Agosto (Quarta-feira)
16.00h – Conferência de Imprensa de apresentação da Peregrinação, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, promovida pela Obra Católica Portuguesa de Migrações em Conjunto com o Santuário de Fátima.
17.00h – Abertura da Peregrinação pela Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, com a presença do convidado deste ano, D. Alessandro Ruffinoni, delegado da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros para a Pastoral dos Brasileiros no Exterior.
18.30h – Acolhimento dos Peregrinos e saudação aos Migrantes na Capelinha das Aparições.
21.30h – Recitação do Terço na Capelinha das Aparições, seguida de Procissão de velas e Eucaristia, presidida por D. António Vitalino Dantas, Bispo de Beja e Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana.
Dia 13 de Agosto (Quinta-feira)
00.00h – 02.00h – Adoração ao Santíssimo Sacramento, na Basílica
02.00h – 03.30h – Via-sacra, no Recinto
03.30h – 04.30h – Celebração Mariana, na Capelinha das Aparições
04.30h – 05.30h – Eucaristia, na Basílica
05.30h – 07.00h – Adoração e canto de Laudes, na Basílica
09.15h – Recitação do Terço, na Capelinha das Aparições
10.00h – Celebração da Eucaristia, presidida por D. Alessandro Ruffinoni, incluindo-se a oferta do trigo, a bênção dos doentes e a consagração, terminando com a Procissão do Adeus.
Nota: Em cada ano uma comunidade específica de imigrantes ou as comunidades portuguesas de determinado país são colocadas no centro da Peregrinação. Este ano, queremos realçar a comunidade imigrante brasileira que tem uma forte presença em Portugal. Por isso, apelamos a uma participação massiva de todos os imigrantes brasileiros na Peregrinação.