Mensagem de Ano Novo 2004 Presidente da República
Palácio de Belém
01 de Janeiro de 2004
Portugueses,
O ano de 2003 foi um ano muito difícil para o Mundo e para Portugal. Muitos portugueses viram as suas condições de vida piorar e o desemprego afectou, infelizmente, muitas famílias. Todos esses a quem o presente frustrou as expectativas de um quotidiano livre de incertezas e angústias, capaz de proporcionar aos seus filhos mais e melhores oportunidades de vida, olham com inquietação para o ano de 2004.
(…)
Caros concidadãos,
Os meus melhores votos para o ano de 2004 dirigem-se também a todas as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, onde milhões de compatriotas nossos, apesar de viverem distantes do seu país, nunca o esquecem e mantêm com ele uma relação de fidelidade e de afecto que se transmite de geração em geração.
Devemos orgulhar-nos desses portugueses, tal como eles se orgulham de Portugal. Muitos partiram para procurar noutros países as oportunidades de vida que aqui não lhes sorriram. Outros, hoje já muitíssimos, nasceram nos países de acolhimento, alguns nunca vieram a Portugal, mas, apesar disso, desejam e sabem manter uma ligação com o país de origem, o que constitui um elemento distintivo da Nação portuguesa.
É por conhecermos as dificuldades que os nossos compatriotas experimentaram quando emigraram e por apreciarmos o apoio que lhes foi prestado nos países de acolhimento que temos o dever moral de tratar os estrangeiros que vivem no nosso país, respeitando as nossas leis e criando riqueza com o seu trabalho, do mesmo modo que gostamos que tratem os portugueses emigrados.
Ainda recentemente, a realização do I Congresso sobre a Imigração em Portugal constituiu uma oportunidade muito útil para conhecermos melhor a actual situação neste domínio e os problemas existentes, prevenindo fenómenos de marginalização, desconfiança e mesmo intolerância.
Temos o dever de olhar para os imigrantes que estão entre nós como pessoas que nos ajudam e merecem o nosso respeito e o respeito dos seus direitos. É preciso que os ajudemos a integrar. A todos eles desejo um Bom Ano de 2004.
Não quero deixar de dirigir, igualmente e com especial intenção, uma palavra particular a todos aqueles que se encontram no estrangeiro, desempenhando funções militares ou de segurança ao serviço de Portugal, integrados em missões multinacionais. Longe das suas famílias, por vezes em circunstâncias bem duras e difíceis, como acontece no Iraque, esses homens e mulheres representam Portugal e são um elemento activo da sua política externa.
Devemos expressar-lhes a nossa solidariedade e homenagear a sua dedicação. Quero também testemunhar às suas famílias o nosso reconhecimento pelo sacrifício que igualmente se lhes exige.
A Portugal e a todos os portugueses, mas muito em particular àqueles que enfrentam hoje sérias adversidades, desejo um melhor Ano de 2004, com mais confiança em nós próprios e mais esperança no futuro.
Para todos, Feliz ano Novo!
Jorge Sampaio