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A Obra Católica e os Imigrantes
A Obra Católica Portuguesa de Migrações foi criada com o objectivo de apoiar os Emigrantes portugueses que, no começo da década de 60, aos milhares, descobriam a Europa à procura do mínimo de “qualidade de vida” – como hoje se diz, que a Terra natal lhes negava.
Mas com a vinda dos imigrantes africanos demandando Portugal, sobretudo, após o 25 de Abril de 75, depressa a OCPM (Obra Católica Portuguesa de Migrações) descobriu que a sua vocação era mais larga. A partir da década de 90 impunha-se atender as situações duras de milhares de africanos, presentes em Portugal.
A OBRA CATÓLICA e as outras instituições
A OBRA CATÓLICA, mercê do trabalho sério, perseverante e atento dos seus directores, granjeou a estima das organizações cívicas, das organizações cristãs e dos governantes. Estima que lhe deu autoridade moral para convocar reuniões, fazer intervenções escritas e orais. A OBRA CATÓLICA empenhou-se também em que as diversas instituições, voltadas para o apoio aos imigrantes, surgissem e se organizassem.
O atendimento
O Campo dos Mártires da Pátria começou a ser conhecido de todas as etnias de imigrantes. No seu gabinete fez-se atendimento diário dos imigrantes a partir dos anos 90. Ali vinham toda a espécie de “casos” desde os “sem papéis”, aos sem emprego, aos sem alojamento. Vinham também os doentes e os sem alimento. Forneciam-se criteriosamente senhas de refeição, bilhetes de acesso aos transportes, pagavam-se estadias em pensões. Ouviam-se pacientemente as “histórias” sofridas física e psicologicamente, contadas com lágrimas de sangue.
No “terreno” do imigrante – sem direitos reconhecidos e sem trabalho – houve duas situações paradigmáticas em que a OBRA CATÓLICA se envolveu – o caso “VU-VU” (em conjunto com o CEPAC) e o caso dos 5 jovens africanos feitos “escravos” na Azambuja.
Os períodos de legalização
Houve três períodos de legalização de imigrantes no Pais: em 1992, em 1996 e em 2001. Nos três momentos, bem vitais, para os milhares de imigrantes indocumentados, a OBRA CATÓLICA teve papel importante alertando para a necessidade da legalização e coadjuvando com as instituições do Estado para que os processos decorressem com normalidade.
Desde 1992, a OBRA CATÓLICA ajudou a dar corpo ao SCAL – Secretariado Coordenador das Associações para a Legalização, ligado a grande número de associações de imigrantes, ONGs e a organizações sindicais. A OBRA CATÓLICA teve um papel importante para que este Secretariado seguisse sempre uma política de imigração humanista e solidária e promovesse a dignidade pessoal e a coesão social. Na última legalização, o OBRA CATÓLICA teve particular posição quer no SCAL quer no COCAI (Conselho Consultivo das Associações de Imigrantes, organizado pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias étnicas).
As intervenções públicas
Ao longo dos anos foram muitas as intervenções públicas do OBRA CATÓLICA. Saíram em “Ecclesia”, mas também nos mass media escritos e audiovisuais diários. Sempre, nos momentos mais difíceis para os imigrantes, a OBRA CATÓLICA foi a sua voz. Os Directores da OBRA CATÓLICA estiveram nas barracas dos imigrantes e nos locais de trabalho, mas também nos grupos parlamentares e nos gabinetes dos agentes do governo.
Ao longo deste quase meio século, a Obra Católica Portuguesa das Migrações foi uma presença válida e indispensável da Igreja junto dos Imigrantes, estes peregrinos do pão de cada dia, que são bem um sinal da presença de Cristo nesta nossa Sociedade consumista e esbanjadora.
Veríssimo Teles
Capelão dos Africanos