Bem-aventurados os que se põem
Em movimento
Transformando êxodo e fuga em
Energia para nova busca
Porque de vítimas se converterão
Em protagonistas da história.
Bem-aventurados os que, forçados
Ao vaivém sem rumo
Com sabedoria aprendem e ensinam
As lições do caminho
Porque haverão de ser arquitectos
De um novo tempo.
Bem-aventurados os que sofrem
Dor, saudade e solidão
Mas sabem fazer de cada chegada
Uma nova partida
Porque colocam em acção a fé, a esperança
E a vida.
Bem-aventurados os que rompem
Fronteiras
Porque na diferença de hino, bandeira,
Raça e credo
Sem discriminação fazem do mundo
A casa de todos.
Bem-aventurados os caminheiros de
Todas as estradas
Porque com lágrimas, suor e trabalho
Das suas mãos
Preparam um amanhã recriado pela
Justiça e o direito.
Bem-aventurados os que abrem a
Porta aos peregrinos
Fazendo da solidariedade o passaporte
Da pátria universal
Porque estão construindo uma nova
Cidadania.
Bem-aventurados os que promovem
Encontros e reencontros
Porque ao semear a paz haverão de
Colher flores e estrelas
No arco-íris de um novo céu e de
Uma nova terra.
Bem-aventurados os excluídos, sem
Vez e sem voz
Porque serão os primeiros convidados
Ao grande banquete
Onde não faltará o pão em todas as
Mesas
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS.