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Há portugueses a chegar de Portugal… foi a constatação que fiz ao participar nos dias 17 e 18 de Maio, na Pereginação da comunidade emigrante de língua portuguesa à basilica de Nossa Senhora de Fourvière, na cidade de Lyon, centro-sul de França. Pude encontrar várias pessoas – casais e individuos sózinhos – que chegaram à região há dois e três anos porque os problemas familiares, profissionais e económicos se agravaram e, felizmente, no estrangeiro têm conseguido equilibrar suas vidas, não obstante as dificuldades inerentes da emigração.    


Os portugueses começaram a chegar de forma significativa à região do Rodano-Alpes após 1960 – muitos deles jovens refratários e desertores do serviço militar.  Contam-se hoje perto de 45.000 presenças, residindo metade na cidade de Lyon-Villeurbane, e estão organizados em várias  associações por eles fundadas.  Actualmente não existe nenhum missionário português a acompanhá-los. São acompanhados com pouca regularidade por sacerdotes franceses e outros que, conhecendo a língua portuguesa, os apoiam acumulando este serviço às suas normais responsabilidades pastorais. Diante da chegada de “novos emigrantes” portugueses surgem necessidades que desafiam a comunidade e suas estruturas associativas para outras formas de acolhimento e inserção. A Peregrinação de Maio a Fourvière (www.lyon-fourviere.com) para as comunidades dispersas, os emigrantes e suas famílias permanece o grande momento identitário de encontro, espiritualidade e visibilidade da própria comunidade na igreja e sociedade locais.


Foram perto de 2.000 os emigrantes portugueses, acompanhados de caboverdeanos, angolanos e brasileiros que no sábado, dia 17, subiram – recitando publicamente o rosário – a ingreme colina de Fourviére onde no cimo se situa a basílica dedicada a Maria e aí participaram na celebração comunitária da reconciliação. No domingo, dia 18, aconteceu a celebração solene da Eucaristia, que explicitou a ligação da Mensagem de Fátima com o mistério da Santíssima Trindade recordando, portanto, as visões místicas que a Ir. Lúcia, já religiosa, teve da Santissima Trindade, em Pontevedra e Tuy, na Espanha. No domingo à tarde a imagem de N. Sra. do Rosário de Fátima – oferta dos portugueses à basílica de Fourvière – voltou a sair à rua em procissão reproduzindo gestos, cânticos e ritos típicos da religiosidade popular portuguesa que outros povos, religiões, culturas e laicidades puderam observar.


Esta festa, para a qual sempre é convidado um sacerdote ou bispo de Portugal, é mantida viva por uma comissão portuguesa de leigos católicos em sintonia com a pastoral diocesana das migrações. É sinal da vontade de participar mais activamente à vida eclesial através da fidelidade a Maria. Apresenta-se ainda como contributo à interculturalidade da Igreja e universalidade da fé incarnada na vida de um povo e língua. Mas, para quem está a chegar à França – realidade para a qual o nosso país tarda em despertar! –  significa, sem dúvida, uma ocasião formidável de acolhimento e continuação do itinerário de fé, deixando-se encontrar e ajudar pelos portugueses já estabelecidos na aproximação às paróquias para a vivência da fé.

Rui Pedro