(00 351) 218 855 470 ocpm@ecclesia.pt

Por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja Católica celebra neste ano, no dia 15 de janeiro de 2012, o Santo Padre Bento XVI propõe o tema das "migrações e nova evangelização". Convida todas as pessoas de boa vontade e os cristãos de modo particular, a comprometerem-se na busca de soluções adequadas para os múltiplos desafios da mobilidade humana e a proteção da dignidade das pessoas migrantes, suas famílias, suas culturas e suas comunidades.

 
A acolhida dos irmãos e irmãs migrantes e refugiados, que saem de seus países em busca de melhores condições de vida ou ameaçados por perseguições, guerras, violência, fome e catástrofes naturais, não é só uma questão de ação social e solidariedade, mas também "uma oportunidade providencial para renovar o anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo”, como propõe Bento XVI. Os desafios do processo de globalização, da primavera árabe, da crise econômica, da perseguição das minorias cristãs e das profundas mudanças da sociedade atual levaram o Papa João Paulo II e também Bento XVI, a incentivarem a Nova Evangelização como resposta pastoral urgente ao desafio das migrações e das exigências da catolicidade da fé no Deus revelado em Cristo.
 
Esta resposta pastoral baseia-se na mensagem evangélica, segundo a qual acolher aos demais é encontrar-se com Cristo. Todo cristão é portador e herdeiro da memória histórica do caminhar do povo de Deus, do respeito ao migrante e do valor de hospitalidade, contidos na palavra de Deus: "quando um migrante se estabelecer convosco em vosso país, não o oprimireis. Ele será para vós como o nativo: tu o amará como a ti mesmo, porque fostes migrantes no Egito" (Lv 19,33-34). Em Cristo, Deus veio pessoalmente pedir hospitalidade aos homens e mulheres do mundo e viveu a experiência do exílio no Egito (Mt 2,14). Ele chegou a identificar-se com o estrangeiro que necessita hospitalidade e amparo: "eu era migrante e me acolheste" (Mt 25,35). Além disso, as migrações, parafraseando o Vaticano II, são um sinal dos tempos que se deve interpretar hoje!
 
Partindo desta visão cristã da pessoa, da vida, dos sinais e da história, a Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos) renova seu compromisso com a Igreja a serviço de uma Nova Evangelização frente ao vasto e complexo fenômeno da mobilidade humana. Não só permanecendo fiel – como vem fazendo há 125 anos – ao serviço concreto das comunidades migrantes em seu caminho de fé, de formação, de interculturalidade e de participação na Igreja local, bem como intensificando sua colaboração com os atores políticos e sociais na promoção de leis, programas e serviços que tutelem a dignidade e os direitos humanos e culturais de migrantes, deslocadas e refugiados.
 
Roma, 12 de janeiro de 2012
 
P. Sérgio O. Geremia, c.s.
Superior Geral