40 anos

Ponta de Lança Falhámos!

No último número perspectivávamos ser possível o título de campeões do mundo em futebol. Isso não aconteceu. Foi pena!

A pena, o lamento com que se reveste esta aventura no mundial de futebol de 2006, na Alemanha, contém diversos factores característicos do nosso “ser português” e do “ser humano”, numa amplitude mais alargada.

Alguns aspectos do ser português, quer se queira quer não, de matriz cultural judaico-cristã, e com toda a influência das várias civilizações que construíram o ocidente europeu, estão também intrinsecamente ligados às suas simbologias. É o caso do quarenta.

O número quarenta figura como significado do tempo deste mundo. Pois quatro são as partes do mundo e quatro são também os elementos de que está constituída toda a criatura visível. Já o dez indica plenitude: tanto a do bem como a do mal. E dez por quatro dá quarenta!

O quarenta é número que representa misticamente a Antiga Lei e o Evangelho. Quarenta é o número da permanência no deserto. O salmista (Sl 94,10) refere também: “Durante quarenta anos desgostou-me aquela geração”; e, no dilúvio, foi por esse número de dias e de noites que Deus fez chover sobre a terra. E no livro de Jonas (3,4) está escrito: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída”, o que não chegou a ocorrer com aquela cidade, mas na apocalíptica ocorrerá com o mundo por ela figurado. Quarenta são as gerações de Abraão a Jesus Cristo. No Evangelho de Mateus (Mt 4,1) e sinópticos o Senhor “foi conduzido pelo Espírito ao deserto por quarenta dias”. Representa também a Ressurreição do Jesus, pois está escrito em Actos (1,3) que “apareceu-lhes durante quarenta dias”.

Ou seja, terminado o mundial de futebol… daqui a quarenta anos, depois de 66 e 2006, voltaremos a fazer figura!? É sina?!

Desportivamente… pelo desporto!