50 perguntas sobre Jesus

Livro Jesus era solteiro, casado ou viúvo? Que afinidades políticas tinha? Qual a relação de Jesus com Maria Madalena? Estas e mais 47 perguntas obtêm resposta nesta obra.

Dizia Fernando Pessoa que “o mundo, à falta de verdades, está cheio de opiniões”. Podemos acrescentar que, à falta de verdade, está cheio de confusões. Veja-se o caso de Jesus. Sobre a figura central do cristianismo têm surgido, sucessivamente, as mais diversas teses, umas claramente estapafúrdicas, outras com aparência de ciência mas promovidas com finalidades interesseiras, e poucas com rigor histórico e científico, que levem realmente o leitor (ou ouvinte ou espectador) a aumentar os seus conhecimentos sobre a pessoa que está na origem da fé de boa parte da humanidade. Recordo algumas dessas teses. Colecciono-as com curiosidade e como sinais de que o Filho do Homem continua a ser motivo de escândalo e de especulações, de divisão. Di-zem elas que Jesus andou a aprender budismo na Índia, que pertencia à escola filosófica dos cínicos, que foi para o Egipto a aprender filosofia, que era homossexual, que era casado com Maria Madalena, que teve filhos, que não caminhou sobre as águas, mas sobre blocos de gelo, que tinha sido essénio, que era zelota, que como carpinteiro fabricava cruzes para os romanos, que não morreu mesmo mas entrou num espécie de estado de coma, que depois de morto foi levado para a Inglaterra por José de Arimateia, que foi sepultado em Jerusalém e ainda lá estão os ossos, que…

Vale a pena recordar o esforço do psicólogo francês Binet-Sanglé, professor da Sorbone, nos finais do séc. XIX. Em 2000 mil páginas de “classificação científica do carácter de Jesus”, conforme resume Vittorio Messori nas suas “Hipóteses sobre Jesus”, chega à conclusão de que Jesus foi téomano (maníaco religioso, pela degeneração do afecto dos pais), sitófobo (detestava o alimento, como é testemunhado pelo jejum de 40 dias), dromómano (não podia estar parado, como se vê pelas contínuas deslocações), impotente (pelas exortações ao celibato), homossexual (por causa do discípulo amado), insone (pelas noites de oração)…

Contudo, o que é de espantar não é a imaginação delirante dos detractores e aproveitadores da figura de Jesus Cristo. É a passividade dos meios cristãos. Antigamente, havia uma disciplina da Teologia que era a Apologética. Servia para “confirmar os crentes e convencer os descrentes”. A apologética faliu, porque, para acreditar, não basta saber. Mas sem dúvida que o cristianismo tem de ter uma dimensão de diálogo e contraposição de razões. O cristianismo não é uma consequência da natureza humana. É uma “intromissão” de Deus na história. Nunca será aceite como algo de natural. Precisa de fé e razões. Ora, que instrumentos tem hoje o cristão comum para aprofundar os conhecimentos (e a fé) em Jesus Cristo?

“50 perguntas sobre Jesus”, como o próprio título indica, responde a meia centena de questões sobre o Nazareno. Algumas delas: Existem dados sobre Jesus em textos não-cristãos? (2); Qual o significado da virgindade de Maria? (6); Jesus era solteiro, casado ou viúvo? (13); Que afinidades políticas tinha Jesus? (19); Qual a relação de Jesus com Maria Madalena? (24); Quem são os gnósticos? (43).

Elaborado por uma equipa do Departamento de Sagrada Escritura da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra (Espanha), esta obra dá respostas de duas páginas a muitas das perguntas que despertam a curiosidade do grande público. É sobre Jesus. Fazem falta obras do género sobre a Bíblia, a Igreja, a Moral Cristã ou a Doutrina Social da Igreja.

J.P.F.