68 mil menores em risco…

Olhos na Rua Disseram-no os jornais da semana passada. Acrescentaram que, em 2011, foram retirados às famílias 2995 menores. Onde estão eles? Os estados modernos têm a mania de quererem ser donos das pessoas, mormente das crianças e dos jovens. Mas estes não podem servir para aguentar um sistema, dito de proteção. Eles são pessoas.

A leitura da realidade, quando esta comporta vida que interpela, não se resume a apreciar dados estatísticos. Tem de se ir às causas e agir sobre elas. Têm de se avaliar as soluções propostas, ou em campo, e ter coragem de dizer que muitas delas não levam a nada. Tem de se ouvir a sociedade civil, porque esta também está comprometida nas causas e, por isso, o deve estar nas soluções. Tem de se procurar por que razão o espaço normal e desejável da educação, que é o seio da família, se apresenta degradado, a ponto de não servir para educar e nem sequer para preservar dos maus caminhos.

Há anos, uma instituição do Estado tinha vinte servidores para uma dúzia de internados. O ministro não sabia, por certo, mas os intermediários sabiam-no. Numa outra instituição o diretor ameaçou de despedimento quem falasse de Deus ou de religião aos que a instituição recolhia para educar… A adoção proclama-se, mas, na prática, os adotantes desistem, tal a barafunda de exigências e papéis e, agora, também, a crise que todos sentimos.

63 mil menores em risco! Há lugares que os podem receber com esperança de êxito, mas são postergados, por conselho dos técnicos… Mas que país este! Senhor ministro, tome providências, por favor. Chame para refletir consigo quem sabe, por experiência, que educar não é uma técnica, mas é obra de amor. Salte a barreira dos preconceitos e dos interesses criados. Estão em causa milhares de pessoas e o futuro das mesmas.