75 anos de dedicação às missões

Sociedade Missionária da Boa Nova Actualmente, aqueles que por vezes ainda são conhecidos como “missionários de Cucujães”, por terem sede no antigo convento beneditino dessa freguesia de Oliveira de Azeméis, estão presentes em Moçambique (a primeira fundação, em 1937), no Brasil, em Angola, na Zâmbia e, desde 1988, no Japão. A presença neste país asiático, disse Pe. António Couto, superior da SMBN, em entrevista à agência Fides, “corresponde ao apelo de João Paulo II, que indicava a Ásia como meta prioritária da missão. (…) É certamente um trabalho mais lento. Os nossos sacerdotes integram-se com os sacerdotes diocesanos japoneses, para trabalhar em grupo. Dedicaram dois anos somente para aprender a língua e trabalhar apostolicamente”.

“Diocesidade” como identidade

A SMBN não é uma congregação religiosa, mas uma sociedade missionária de vida apostólica que se dedica à missa “ad gentes”. “O nosso objectivo – diz Pe António Couto na referida entrevista – é a evangelização e a ajuda à Igreja em países ou comunidades nas quais ela ainda não está radicada. Nós, sacerdotes, membros da sociedade, somos diocesanos, e esta é uma das nossas características, a ‘diocesidade’. Nascemos do impulso dos bispos portugueses, que sentiram a necessidade de promover o anúncio do Evangelho, sobretudo no território português”. Na SMBN também existem leigos, que, casados ou solteiros, “trabalham no campo do voluntariado, contribuindo para o desenvolvimento dos países e para a criação de um mundo mais justo e humano”. No total, a SMBN é constituída por 130 membros. O Pe Pedro Correia (sacerdote associado) e o leigo Jorge Carvalhais, ambos no nordeste brasileiro e habituais colaboradores do Correio do Vouga trabalham com a SMBN. Alguns dos jovens que no Verão fazem experiências missionárias também têm sido acolhidos em missões da Sociedade.

Nestes 75 anos de história, a SMBN teve cinco mártires, em Angola e Moçambique, e agora acolhe vocações surgidas nesses países (essa foi uma das razões para a mudança de nome e estatutos, que antes exigiam que os seus mem-bros fossem portugueses).

Em Portugal, a Sociedade tem casas em Cucujães, Fátima, Valadares (Gaia) e Cernache do Bonjardim (Sertã) e desenvolve um grande trabalho de animação missionária pelas paróquias (destacam-se os leigos Boa Nova, que se voluntariam para as missões, durante dois ou três anos). A tipografia de Cucujães, que em tempos funcionou como escola tipográfica, tem actualmente quarenta funcionários e só em parte se dedica a publicações religiosas, entre as quais as revistas “Igreja e Missão” e “Boa Nova” e o jornal “Voz da Missão”.

Comemorações

Depois do ponto alto que foi a peregrinação missionária da Fátima (18 e 19 de Junho), a SMBN realiza nos próximos dias um congresso sobre a missão que reúne alguns melhores investigadores internacionais (ver notícia abaixo) e promove o I Encontro de Jovens Sacerdotes da SMBN, de 8 a 23 deste mês. No dia 9 de Outubro encerram as comemorações, com missa no Seminário de Cernache do Bonjardim, “que guarda pedaços da mais rica história missionária de Portugal”. A celebração será transmitida pela TVI (11h), seguida do programa “8º dia”, em directo de Cernache.

Jorge Pires Ferreira

e Cardoso Ferreira

“Nascida do zelo missionário do Episcopado português e aprovada pelo Papa Pio XI com o intuito de promover o anúncio do Evangelho ad gentes, sobretudo no território português, a Sociedade Missionária caracteriza-se e distingue-se dos outros Institutos por ser composta por padres diocesanos e por leigos, que se dedicam de maneira constante à actividade missionária; àquela actividade que constitui a razão de ser e de operar da Igreja”

D. Alfio Rapisarda, Núncio Apostólico (Fátima, 18 de Junho)

“Rendamos homenagem ao valente labor evangelizador desempenhado por tantos missionários da Boa Nova, nestes seus primeiros setenta e cinco anos de vida, pois a história testemunha a sua generosidade e a sua capacidade missionária sem igual, e também pelos frutos concretos de cooperação missionária obtidos, tanto nos meios espirituais e materiais como sobretudo pessoais”.

Cardeal Crescenzio Sepe, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos (Fátima, 18 de Junho)