Uma pedrada por semana Se à dúzia, diz o povo, é mais barato, quais são os sortudos que vão beneficiar dos descontos, em compra tão vultuosa? É para dar de graça, tal como o “Magalhães”, diz-se. De graça para quem recebe. Para pagar, todos nós, ricos de um país pelintra. As multinacionais não fazem caridade, apenas dão luvas a mãos já antes aquecidas.
Os agentes que publicitam e distribuem estes milhões são multidão: pessoas, instituições, serviços. Gente que optou pela obediência, sem o terreno que pisa. Muitos não convencidos de que seja este o caminho mais eficaz. Mas pagam-lhe para dizer que sim. Entretanto, rasgam-se vestes escandalizadas quando alguém contradiz o sistema e mostra caminhos, mais longos e morosos, mas mais humanos, esperançosos e respeitadores de pessoas com inteligência, vontade e capacidade de reacção. Não se trata de dar ração a animais que reagem por instintos. Trata-se de gente educável, se tiver educadores que a respeitem, ajudem e acreditem na sua capacidade bem e de ir mais longe. Nivelar tudo por baixo ou considerar que todos são doentes e incapazes é mentir, que não ajuda a crescer quem tem direito à verdade.
Desmantelada a educação, cresce a irresponsabilidade, abaixam-se as tabelas, anulam-se as exigências. Tudo igual, tudo em perigo, tudo irresponsável. A opção é por uma menoridade colectiva, dependente e agradecida a quem lhes satisfaz os gostos. E os governos, por aí fora tocam a mesma música, distribuem milhões e assim dão apoio a esta destruição da sociedade e das pessoas. Depois, lá virá o tempo de querer remediar em vão, os males que antes se favoreceram com a acções e omissões.
Haja aí quem diga, com verdade que, alguma vez, em qualquer parte do mundo, se resolveram bem problemas graves sem disciplina, nem esforço. O que se vê agora?
Os técnicos inventam teorias; as multinacionais do sector, interessadas, pagam a quem as difunde; os pragmáticos, de cabeça oca, fazem a sua defesa e a aplicação; os governos, sempre simpáticos com o dinheiro de todos, satisfazem as loucuras de alguns; à gente nova cortam-se as asas e abre-se caminho da droga, do sexo, do álcool, para uma vida fácil, sem esforço, nem horizontes; as famílias, atordoadas e preocupadas, abdicam de intervir; entretanto, futebol e Internet a rodos entretêm e distraem do essencial. A moeda corrente é de que agora é assim e não se pode ser D. Quixote. A desgraça tornou-se inevitável e, então, há que correr com paliativos ilusórios. Porém, os maus comportamentos não se mudam, antes vão contagiando.
Continua a provocar-se o caos. Impunemente. Os profetas, se põem o dedo na chaga e falam de esperança, tornam-se incómodos. Se alguém avisa que o caminho certo é outro, é ridicularizado. E, até, gente importante cá do burgo, que tinha obrigação de pensar mais largo, abdica de o fazer ou foge ao incómodo de dobrar a folha para não ver o que o coração já não alcança. Que admira uma árvore podre em floresta inquinada? Alguns iluminados – pasmem ó gentes! – até já dizem que o culpado de tudo é o Papa e a Igreja, com o seu falar retrógrado Retrógrada, a verdade e a defesa da dignidade humana? A isto se chegou.
Apesar desta loucura, há que, ao apontar a chaga, falar de esperança. O mundo será de quem lhe der, desde agora maiores razão de esperança. Um fósforo que se acende e permanece aceso no vendaval, tem força para vencer todas as trevas.
