Dias Positivos De entre os filmes que a 7ª arte tem produzido sobre Jesus Cristo, o “Jesus de Montreal” é dos menos falados. Talvez seja o mais atípico. Na cidade canadiana de Montreal, um grupo de jovens teatraliza a vida de Jesus Cristo. A encenação é pretexto para debates teológicos sobre a história e o sentido da vida do Salvador. Acontece que o jovem protagonista tem um acidente e morre. A tragédia abre, no entanto, esperança para outras pessoas. Recebem órgãos do jovem e podem recomeçar a viver. Morte, dádiva e vida. Há algo de ressurreição nisso.
Na mesma cidade, no dia 13 de Setembro de 2006, uma jovem descendente de açorianos foi assassinada por um estudante canadiano, no colégio pré-universitário que ambos frequentavam. Só ela morreu, num tiroteio que feriu 19 pessoas. A jovem chamava-se Anastasia de Sousa. Ora, na semana passada, o governo da província do Quebeque aprovou uma lei que proíbe o porte de arma nos estabelecimentos de ensino e nos transportes públicos, entre outras restrições. Chamou-lhe “Lei Anastasia”, em memória da luso-descendente.
A sua morte não terá sido em vão, se evitar a de outros. Mais uma vez, encontramos o padrão “morte, dádiva e vida”, com um pormenor não menos revelador: “Anastasia” (Anastácia) quer dizer, em grego, como saberá quem gosta de desenterrar a raiz das palavras, “ressurreição”.
J.P.F.
