Olhos fechados à beleza

Uma pedrada por semana Tenho encontrado gente em Aveiro que, depois de vários anos a viver na cidade – acontece isto com estudantes –, nunca visitou o Museu, nem sabe do maravilhoso túmulo da Santa Princesa. Já verifiquei o mesmo, quando estudei em Roma e deparei com romanos, alheios à arte e à história daquela cidade única.

Numa recente ida à Alemanha, concretamente à conhecida cidade de Nurenberg, pude ver que o padre português que trabalha com os nossos emigrantes na Baviera acabava de publicar, em alemão, um álbum com vinte e cinco artísticas e valiosas fotografias de imagens de Nossa Senhora, colocadas em esquinas de casas particulares, desde há séculos, na zona mais bela e característica da cidade. Uma maravilha! Quando ele fazia a ronda a fotografar as imagens que veio a publicar, um polícia intrigado procurou saber o que andava ele a fazer. Quando explicou, ouviu quem o interpelava: “Que coisa maravilhosa! Ando por estas ruas todos os dias e desde há anos. Nunca tinha reparado nestas lindas imagens. Foi preciso um estrangeiro abrir-me os olhos a esta riqueza”.

Olhos fechados de quem os julga ter abertos! Quem não sabe admirar, envelhece mais depressa, porque sem os horizontes do belo a vida cansa mais. Quem não anda atento, perde pelo caminho muitas riquezas que estão aí para todos nós. Nem só o dinheiro é riqueza…

A. Marcelino