Uma pedrada por semana Noventa e quatro anos, setenta de vida sacerdotal! Lucidez total. As pernas, já mais presas, a agradecer, em alguns momentos, um braço amigo, mas embora nem sempre.
Setenta anos dedicados à formação de padres, de jovens, na escola e numa instituição que orientou e dirigiu durante dezenas de anos e onde vive ainda, de operários como assistente de movimentos de Acção Católica Operária, de bombeiros voluntários…
Estudos feitos em Roma, professor de teologia de algumas gerações, com dois alunos agora bispos, que não podiam faltar às comemorações. Por amizade, estima e admiração, também estive no Castelo de Penalva, paróquia onde nasceu e é acarinhado o Cónego Dr. Artur Antunes.
Não escrevo esta “pedrada” apenas para relatar o acontecimento, mas sobretudo para dizer que um padre nunca é um reformado ou um aposentado a gozar o repouso merecido dos esforços dispendidos e dos trabalhos realizados. É sempre um apóstolo activo, cuja generosidade não se cansa, nem o seu zelo se desvanece.
“Ser para os outros” marcou uma vida e continua a marcá-la. Assim com este e com muitos outros padres anónimos. Faz falta à sociedade, hoje que tudo se paga, tomar consciência desta realidade. Mais criticados que aplaudidos, mas sempre protagonistas da história de muita gente, que não a teria do mesmo modo.
Aqui deixo a minha homenagem aos padres carregados de anos e de méritos que continuam vivos, generosos e disponíveis…para que outros se sintam aliviados.
A. Marcelino
