A salvação dos jovens

Colaboração dos Leitores Jovem, regozija-te na tua mocidade e alegra o teu coração na flor dos teus anos. Segue os impulsos do teu coração e o que agradar aos teus olhos, mas sabe que, de tudo isso, Deus te pedirá contas. Lança fora do teu coração a tristeza, poupa o sofrimento ao teu corpo: também a meninice e a juventude são ilusão.

Eclesiastes 11, 9-11

A nossa vida é uma continuidade, não se podendo estabelecer os pontos de partida ou de chegada em cada uma das fases que ela atravessa: infância, adolescência, juventude, adultez, velhice.

Somos sempre nós, mas vamos crescendo, amadurecendo e envelhecendo, esperando o dia em que teremos de dar contas a Deus, pela vida que vivemos.

Falo deste assunto, porque, infelizmente, muitas pessoas dos nossos dias vivem desfazadas da realidade, querendo aparentar aquilo que não são, ou viver aquilo que deveriam (e seria normal) terem vivido noutra fase da sua vida.

Basta olhar em redor e vemos tantas pessoas, com idade para terem juízo, a comportarem-se como adolescentes; e jovens que, devido à dureza da vida, têm de assumir responsabilidades e esforçarem-se por serem alguém na vida, tornando-se adultos antes do tempo.

Os nossos tempos valorizam o aspecto físico, em detrimento do aspecto moral e comportamental. O que interessa é parecer jovem, vestir como adolescente, dando a ideia que são pessoas bem conservadas. O pior vem quando, além do vestuário, os comportamentos assumidos são inconstantes como se de adolescentes se tratasse.

Nada há de mais belo do que a utopia da juventude, quando se olha o mundo com uns óculos de esperança e em que tudo é alcansável. A juventude é para ser vivida, é o tempo de desbravar caminho, para se lançar as bases da vida adulta e mais responsável.

Contudo, muitas vezes, confunde-se juventude com irresponsabilidade; mas nem de perto nem de longe, são palavras sinónimas.

Ser jovem é acreditar que tudo pode ser feito, tudo pode acontecer e tudo pode ser superado. Como diz o Eclesiastes, o jovem tem de lançar fora a tristeza, ainda mais nos dias que correm, nesta era que faz crer aos jovens que o futuro é negro, sem realização profissional e com as dificuldades à vista.

Os formadores devem ajudar os jovens a serem jovens. A viverem intensamente esta fase da vida e não a fazerem infantilidades, julgando que é disso que os jovens gostam. Os jovens gostam de ter modelos, não de ditadores de pensamentos e comportamentos. Gostam de olhar para os animadores como modelos a seguir e não ver neles aquilo que não querem ser quando forem adultos.

Para os animadores é difícil resistir a esta tentação, confundindo animação com entretenimento. Animar é dar vida (anima), não é fazer palhaçada ou dar concertos de guitarra. Isto não querendo dizer que uma dinâmica ou uma canção sejam deixadas de lado no processo de animação; podem e devem ser usados, mas com critérios objectivos.

Há muitos jovens para salvar; por isso os animadores devem lançar as redes ao largo e mais fundo, tendo como âncora os sacramentos e a Palavra de Deus. Tudo mais virá por acréscimo.

Sérgio Carvalho