Dias positivos As generalizações sobre o povo português, do tipo “o povo português é…”, são naturalmente injustas. O povo português nunca é todo como dizem. Mas há alturas em que apetece fazer generalizações desse tipo. O mais recente exemplo prende-se com o “caso Madeleine”. Tão depressa o povo português se solidarizou com os pais da criança desaparecida no Algarve, colando cartazes da menina nos sítios mais improváveis ou rezando com e por Kate e Gerry McCann, por exemplo, como agora (ou pelo menos antes de o casal partir para Inglaterra) apupa e vaia o casal que passou a ser arguido.
Somos um povo com os sentimentos à flor da pele – é a generalização que aqui cabe.
Este episódio faz lembrar um outro que dizem que Salazar contava para explicar o espírito do povo português. Mesmo que não seja politicamente correcto citar o ditador, dizia o presidente do conselho que o povo português é como o indivíduo que se insurge quando um ladrão rouba uma carteira no Rossio (“Agarra, que é ladrão”; “Onde é que está a polícia? Quando é preciso, nunca aparece!” – imaginamos) e, no momento seguinte, quando a polícia o apanha, chega ao agente da autoridade e pede-lhe: “Ó senhor polícia, é um pobre coitado. Não lhe faça mal. Deixe-o ir em paz”.
Falta-nos a fleuma e prudência do povo… britânico?
J.P.F.
