Financiamento é uma preocupação para a reitora da UA Na abertura do ano académico, a reitora da Universidade de Aveiro (UA), Maria Helena Nazaré, voltou a destacar o cada vez maior distanciamento de Portugal em relação à média europeia, no que se refere ao financiamento do ensino universitário.
Quando a universidade em Portugal, e a de Aveiro em particular, se prepara para encarar “os desafios da competição global modernizando os processos de governo, aumentando o controle de qualidade e promovendo a inovação”, a reitora sublinhou que “é necessário que o governo assegure uma eficaz coordenação das políticas de suporte a estas mudanças e assuma claramente o papel de tutela que lhe cabe, abstendo-se de nefastas e ignorantes ingerências. Particularmente grave é o sub-financiamento crónico do ensino superior em Portugal”.
A reitora da UA chamou a atenção para o facto de que, “em Portugal, o financiamento do ensino superior é cerca de 0,78% do PIB, enquanto na União Europeia o valor médio é de 1,2% e se recomenda que esse valor suba para 2%; enquanto na Europa se incentiva que o financiamento da investigação seja feito a custos totais, em Portugal vamos em sentido contrário: continua o esforço do pessoal docente afecto à investigação a ser pago com base numa fórmula que depende do número de alunos”.
Igualmente, Maria Helena Nazaré lembrou que “o financiamento das universidades diminuiu em cerca da 14% no ano de 2007. Não é pois de espantar que algumas universidades não consigam de todo pagar salários nos últimos meses deste ano e do mesmo modo o não venham a conseguir fazer em 2008”.
Para a reitora da UA “é inadmissível que, quando confrontado com estes problemas, o Ministro da Tutela afirme que «as universidades têm que se habituar a um modelo diferente de financiamento». Excelente! Sua Excelência, o Senhor Ministro, esqueceu-se foi de dizer qual o modelo: seria mais fácil cumprir se o mesmo fosse conhecido”.
Maria Helena Nazaré disse estar “inteiramente de acordo com um financiamento compreendendo duas componentes, uma proporcional ao número de alunos e outra relativa à investigação, com ambas, naturalmente, dependendo da qualidade evidenciada pela instituição no desempenho da sua missão. Mas, como é óbvio, é essencial existirem regras absolutamente claras e transparentes para a atribuição de cada uma delas”.
Este ano, na primeira fase do concurso nacional de acesso, na universidade aveirense foram colocados 1874 alunos, os quais preencheram 94,6% das vagas dos cursos universitários e 91,5% dos cursos das Escolas Politécnicas. Para a reitora da UA, estes números evidenciam que “a oferta da UA se tem vindo a adequar à procura de forma quase perfeita, se tivermos em mente que, há cinco anos, as taxas de preenchimento das vagas oferecidas no ensino universitário e politécnico eram, respectivamente, de 76,1% e de 78,5%. Particularmente gratificante é a qualidade dos estudantes que nos procuram, evidenciada por notas de candidatura que em muitos casos têm vindo a aumentar”.
C.F.
Entrega de Bolsas e Prémios
Na sessão de abertura do ano académico foram entregues os seguintes prémios: Bolsas de Estudo aos Melhores Caloiros da Universidade de Aveiro (7), Prémios Universidade de Aveiro (2), Prémio Martifer, Prémio BPI, Prémio Câmara Municipal de Águeda, Prémio Câmara Municipal de Ílhavo, Prémios Câmara Municipal de Aveiro (3), Prémio Correios, Prémio Departamento de Didáctica e Tecnologia Educativa, Prémios Dow Portugal (2), Prémios Eng. António de Almeida (3), Prémio Eng. António Pascoal, Prémio Eng. José Ferreira Pinto Basto / Alcatel, Prémio João Neto, Prémio Ludwig Van Beethoven (2), Prémios Oliveira & Irmão (2), Prémios Caixa Geral de Depósitos (4), Prémio Prof. Dr. Egas Moniz, Prémio Comendador Latino Carocho / Academia do Bacalhau de Aveiro, Prémios Águas S. Cristóvão (2), Prémios Delta (2), Prémio Dr. Vale Guimarães / Governo Civil de Aveiro.
