Eucaristia e compromisso social Todas as reflexões que possamos fazer nunca serão demasiadas, para entusiasmar os cristãos a tomarem a peito a proposta que faz a Diocese de Aveiro neste Ano Pastoral: viver a missão da Igreja no cuidado dos mais pobres e fragilizados.
As considerações de hoje apresentam-se como o fundamento último do compromisso cristão, como a sua fonte constante e inspiração permanente. Vamos reler algumas frases da exortação apostólica Sacramentum Caritatis de Bento XVI.
“Cada celebração eucarística actualiza sacramentalmente a doação que Jesus fez da sua própria vida na cruz por nós e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de nós testemunhas da compaixão de Deus por cada irmão e irmã; nasce assim, à volta do mistério eucarístico, o serviço da caridade para com o próximo, que «consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que não conheço sequer. Isto só é possível a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então, aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo” – SC 88.
Quer-nos dizer o Papa que a Caridade, que não acaba nunca, que tudo suporta, que tudo acolhe, que não tem fronteiras nem condições, reside no coração de Cristo. Que a Eucaristia é a possibilidade de mergulharmos no coração de Cristo, cujo único objectivo é que todos tenham a vida em abundância. Que aí se transforma o nosso coração e se torna capaz de ir ao encontro de quem necessita do que somos ou do que temos. Que só na Eucaristia vivemos a vida em abundância, que transborda para o nosso quotidiano e irradia a todo e qualquer irmão ou irmã.
Sendo assim, “o mistério da Eucaristia habilita-nos e impele-nos a um compromisso generoso nas estruturas deste mundo, para lhes conferir aquela novidade de relações que tem a sua fonte inexaurível no dom de Deus” – SC 91. “O próprio sacramento da Eucaristia, a partir da convocação litúrgica, compromete-nos na realidade quotidiana, a fim de que tudo seja feito para glória de Deus” – SC 79.
Longe de ser uma retirada da realidade que nos envolve – toda a realidade humana! – a Eucaristia é a ocasião por excelência para a transportar até Cristo, permitindo-Lhe, desse modo, perpetuar o Seu mistério de Incarnação redentora, de Morte e Ressurreição recriadoras, com efeitos essenciais naqueles que a vivem, tornando-os seu testemunho e fermento. E esse dinamismo é incontível!
Q.S.
