O justo viverá pela fidelidade

À Luz da Palavra – XXVII Domingo Comum – Ano C O tema essencial da liturgia deste domingo diz-nos que o justo viverá pela sua fidelidade, o mesmo é dizer, que o cristão e a cristã que conseguem romper a bruma do tempo e o emaranhado das situações actuais, permanecendo convictamente praticantes, conseguem-no graças à sua fidelidade a Deus, isto é, à sua permanência na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na 1ª leitura, o profeta Habacuc quase que desespera da salvação prometida por Deus ao povo de Israel, porque este vive subjugado pelo regime babilónico. O Senhor chama-o à esperança, baseada na fidelidade do crente a Deus, que é sempre fiel e infinitamente paciente. Deixa que as pessoas usem bem ou mal da sua liberdade, mas, na sua hora, ou kairós, como dizemos em teologia, manifesta o seu poder salvador junto daqueles que perseveram na fé e na esperança, tanto nas alegrias como nas adversidades.

O evangelho, proposto por Lucas, apresenta-nos, também, Jesus a interpelar os seus discípulos sobre a fé: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí…’ e ela obedecer-vos-ia”. A fé profunda e esclarecida em Deus e na sua mensagem salvadora impele-nos a permanecer servos fiéis e inúteis, isto é, a estar convencidos de que é nosso dever de amor entregarmo-nos a Deus e aos irmãos, gratuitamente, como Ele o faz por nós. Para isso, não nos basta a catequese infantil ou adolescencial que temos. Precisamos de crescer na nossa fé, até sermos adultos em Cristo. Precisamos de uma formação cristã contínua e integral, que atinja a nossa inteligência e o nosso coração, em ordem à prática cristã empenhada na comunidade eclesial e nos postos sociais e políticos onde intervimos, como cidadãos activos e cristãos conscientes. Basta de ignorância religiosa e cristã e de irresponsabilidade diante das situações. Temos de ser testemunhas verdadeiras de Jesus Cristo e da sua mensagem. Havemos de viver da fé e testemunhá-la, na permanência das situações difíceis, dolorosas e complicadas.

Na segunda leitura, Paulo é directo: “Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor”. Para isso, não sejas tímido, mas forte, vive a caridade e sê moderado em tudo. Presta atenção à boa doutrina, que vais aprendendo comigo, continua Paulo, sofre pelo Evangelho e confia no poder de Deus. E, sem medos, porque o Espírito Santo, que nos habita, auxilia-nos constantemente. Que belas recomendações! Que acertado programa de vida cristã! A fé é um dom de Deus e uma resposta livre da pessoa humana. Baseia-se, não em doutrinas, por mais seguras e maravilhosas que sejam, mas na adorável pessoa de Jesus Cristo, que nos convida à comunhão íntima com o Pai, no Espírito, através da sua mediação. Acreditar em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, não é apenas uma questão de palavra, de proclamação do Credo na missa dominical; é uma questão visceral, íntima, de coração e de inteligência.

XXVII Domingo Comum: Hab 1,2-3; 2,2-4; Sl 95 (94); 2 Tm 1,6-8.13-14; Lc 17,5-10

Deolinda Serralheiro