Um Museu com História

Museu Marítimo de Ílhavo No dia em que foi assinalado o sexto aniversário do edifício do Museu Marítimo de Ílhavo (21 de Outubro), e no ano em que o museu ilhavense comemora os seus 70 anos de existência, teve lugar a apresentação pública do livro “Museu Marítimo de Ílhavo – Um museu com história”, da autoria de Álvaro Garrido e Ângelo Lebre, editado conjuntamente pela Âncora Editora e Câmara Municipal de Ílhavo / Museu Marítimo de Ílhavo.

Numa edição luxuosa e de grande formato, com mais de 240 páginas, o livro abre com o texto de apresentação, assinado pelo presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, seguindo-se uma “Nota prévia”, pelo presidente da Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo, Aníbal Paião, e a “Introdução”, pelo director do Museu Marítimo de Ílhavo e co-autor do livro, Álvaro Garrido.

O livro está dividido em cinco capítulos: o primeiro intitula-se “O Museu imaginado (1920 – 1936)”, seguindo-se “O Museu instalado (1937 – 1960)”, “Rumo a um novo Museu (1961 – 1989)”, “O Museu em reavaliação (1990 – 1999)” e “Perspectivas e desafios”.

Após o que surgem dois anexos: um referente a pessoas, edifícios, com notas biográficas, executivos municipais de Ílhavo (1919 – 2005), Comissões organizadoras, Grupo dos Amigos do Museu e Associação dos Amigos do Museu (1925 – 2006); e outro com Documentos Fundamentais.

No final, o livro insere o texto “Museu e Comunidades: um ensaio antropológico a propósito da História do Museu Marítimo de Ílhavo”, da autoria de Elsa Peralta, professora auxiliar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas / Universidade Técnica de Lisboa.

Álvaro Garrido realça que o livro “procura sintetizar a história do Museu Marítimo de Ílhavo numa perspectiva equilibrada, entre os projectos do museu e o museu que se foi construindo no tempo, não apenas ao longo de 70 anos, desde a criação oficial do Museu Municipal de Ílhavo, a 8 de Agosto de 1937, mas desde o período de incubação da ideia do museu, que começa em 1919, com o movimento de elites locais intitulado «Plêiade de Ilhavenses», da qual já não há memória. Este livro vai repor na memória colectiva muitos nomes, muitos projectos e muito romantismo arrebatado, por que foi criado este museu”.

Para o director do museu ilhavense, são poucos os livros sobre história de museus em Portugal, pelo que, também nesta área, o Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) está a inovar, dizendo que “nós inovamos no esforço e nas tentativas de gestão integrada da cultura organizacional do Museu, que vamos promovendo”. “Uma história do museu não é uma pretensão estulta, mas é uma necessidade de gestão. A cultura organizacional do Museu terá uma textura muito melhor a partir de agora, a partir do momento em que nos autoconhecemos bastante melhor”, acrescenta.

Para Ângelo Lebre, o mais complexo na elaboração deste livro foi “reunir todas as perspectivas diferentes que se foram construindo ao longo do tempo”. Igualmente, alguns dados sobre “momentos mais difíceis da vida da instituição estavam esquecidos ou encobertos, não pareciam muito claros e ao cruzar a documentação do arquivo do Museu com a correspondência trocada entre o fundador, Américo Teles, e o primeiro director do Museu, Rocha Madahil, foi possível descobrir uma série de novos dados, nomeadamente no que diz respeito às tentativas, muito recuadas no tempo, de se construir um edifício novo, que era uma das maiores ambições desde o início da instituição”.

C.F.