Uma pedrada por semana Diz-se que o velho continente é uma Europa Unida. Não se vê tanto como isso. Quando os grandes se deslocam, aumenta a polícia para os defender, montam-se muros de segurança que incomodam meio mundo trabalhador e pacífico. Não se pode passar por aqui, tem de andar por ali.
Gente grande em casa, é o estendal dos carros luxuosos, o grito das sirenes da polícia, muita gente da caravana a correr, dando a impressão que a fugir de tudo e de todos e a nem saber para onde vai.
Mas então, Europa unida não é Europa da confiança mútua, da paz a construir-se com a alegria, entusiasmo de quem faz a própria casa e nela quer ter condições para acolher a todos, ambiente de festa e serenidade? Mas o que parece reinar é a confusão, o medo, a desconfiança, a abundância de gente armada e desconfiada… A alegria de receber é abafada pela ânsia do ir embora.
Europa Unida e nova de sentimentos, só com corações diferentes, com o reconhecimento da dignidade das pessoas, com a paz espelhada nos olhos que se fixam noutros olhos… Se a união vier mais dos interesses económicos e menos dos valores morais comuns, então cada vez haverá mais medo e mais polícias armados a vedar as ruas.
Lia há dias que, se os pais da Europa, Schuman, De Gasperi, Jean Monet, Adenauer, vissem como caminha esta união, se rebolariam nos túmulos. Não de alegria, como é evidente.
A. Marcelino
